segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cientistas alertam contra 'monstro' que pode causar cegueira

No filme "Alien", o parasita é um alienígena que se hospeda no corpo humano, não para de crescer e tem como meta matar toda a tripulação. O canal de TV paga Animal Planet apresenta uma curiosa série denominada Monsters Inside Me (“Monstros dentro de mim”) que não trata de alienígenas que se hospedam nos corpos humanos, como no filme “Alien, o oitavo passageiro”, de Ridley Scott (1979). Na verdade a série mostra o que acontece quando os seres humanos são vítimas de parasitas. Um destes “monstros” é o Acanthamoeba, uma espécie de ameba de vida livre (AVL), protozoários amplamente dispersos na natureza e que já foram identificadas no solo, ar, água doce e do mar, poeira e também na orofaringe de humanos saudáveis. A presença das AVL está associada aos fungos, bactérias, outros protozoários e até mesmo algas que são utilizados como substrato alimentar. As AVL não requerem um hospedeiro em seu ciclo vital e por isso são chamadas de “vida livre”. As infecções são consideradas acidentais (como nos casos de meningites agudas por Naegleria sp) ou oportunistas (como as meningites granulomatosas, otites entre outras doenças causadas por Acanthamoeba sp). No que diz respeito às infecções oculares, as espécies responsáveis incluem a Acanthamoeba polyploza, a Acanthamoeba castellani, a Acanthamoeba hatchetti e a Acanthamoeba culbertsoni. Elas fazem seu caminho para o olho humano através da água - piscinas, banheiras com água quente, água de torneira, água de esgoto, água de avião ou mesmo lagos. Essa infecção pode levar à ceratite, ou seja, inflamação da córnea, que pode ser muito dolorosa, de difícil tratamento e eventualmente causar cegueira. A primeira descrição de ceratite por ameba em humanos foi feita na Inglaterra, em 1973. Desde então, vários casos foram relatados, embora a incidência ainda não seja conhecida. No Brasil, Nosé e Cols descreveram os primeiros casos em 1988. Os primeiros casos da doença ocular estavam relacionados ao trauma ocular, porém com a popularização do uso de lentes de contato (LC) e, particularmente (mas não somente), as gelatinosas, verificou-se que atualmente este é o principal fator predisponente à ceratite por Acanthamoeba. A associação entre o uso de LC e ceratite por Acanthamoeba foi descrita em 1984. Inicialmente o principal risco descrito foi o uso de LC em ambientes com água contaminada. Posteriormente o uso de solução salina de diluição caseira na assepsia das LC foi associado às infecções, sendo que os usuários de lentes gelatinosas estão sob maior risco. Agora os cientistas alertam: pessoas que usam lentes de contato estão correndo o risco de ficarem cegas. O parasita Acanthamoeba foi encontrado recentemente em água de torneira, piscinas e chuveiros. O alerta está voltado para todas as pessoas que usam lentes, principalmente para a Grã-Bretanha, com 3,7 milhões de usuários. O número de infecções é pequeno, mas apesar do progresso no diagnóstico e tratamento, a ceratite bacteriana continua sendo um desafio. O tratamento é longo, doloroso e não é totalmente eficaz. Quando a lente entra em contato com o olho, o parasita atravessa a córnea que é a camada mais externa do globo ocular. Os sintomas que essa infecção traz são: olhos irritados e lacrimejantes, visão turva, sensibilidade à luz, inchaço da pálpebra superior e muita dor. A visão pode ficar danificada no prazo de uma semana. Para o tratamento, usa-se um tipo de colírio que deve ser pingado a cada 20 minutos todos os dias. Além disso, a pessoa deve permanecer até três semanas no hospital. Nos casos mais graves, recomenda-se o transplante de córnea. A associação entre LCG e infecção corneal bacteriana exige que oftalmologistas estejam sempre alertas e orientem os pacientes quanto à gravidade do quadro, já que normalmente higiene e conservação precária estão relacionadas ao problema. (Fonte: Animal Planet)

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