sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Paratleta faz campanha por mais acessibilidade em corridas de rua
Após acidente de carro, em 2012, Daniella Nobile passou a fazer as provas com sua "handbike". Porém, trajetos íngremes não favorecem participações de cadeirantes.
Cleber Akamine
22 de outubro de 2012. Assim que o carro parou no canteiro central, Danielle Nobile ouviu a pergunta do bombeiro: "Você consegue sair sozinha?". O capotamento,
que a princípio parecia um susto, trouxe uma nova realidade. Embora lúcida e sem arranhões, as pernas não obedeciam seus comandos.
- A primeira coisa que pensei naquele momento foi: sou atleta, como vou fazer minhas provas? Não estou sentindo minhas pernas.
Não era à toa. Danielle, então com 27 anos, treinava e participava de corridas de rua há quatro anos. Sua vida, na época, poderia ser resumida entre as
salas de aula [era professora de inglês] e os tênis, relógio e pace's.
Mas não era aquele "tombo" que a faria desistir de tudo. A paixão pelas corridas estava acima de qualquer dificuldade.
- Não passei por choro ou sofrimento porque eu só pensava nas corridas. Eu tenho um tênis no coração e outro no cérebro. Logo depois do acidente, alguém
me mandou uma foto da "handbike" e aquilo serviu de inspiração - explicou Danielle, que descobriu a bicicleta adaptada em uma das visitas ao Hospital Sarah
Kubitschek, em Brasília. Desde então, Danielle não parou mais.
No último dia 21, aproximadamente dois anos após o acidente, Danielle Nobile fez uma provocação aos organizadores de corridas de rua de Ribeirão Preto
e região. Diante do público que acompanhava a 4ª Meia Maratona de Ribeirão Preto, ela fez um apelo no sistema de som.
- Temos inúmeras corridas de rua na cidade e apenas duas suportam a participação de cadeirantes. Não é possível que os organizadores não se atentem para
isso. Por que fazer provas em locais com subidas e descidas íngrimes se podemos fazer em locais planos? Os cadeirantes também gostariam de participar.
Os organizadores precisam adaptar a prova - comentou Danielle Nobile, iniciando uma campanha por mais acessibilidade nas provas em Ribeirão Preto.
- O pessoal da Meia Maratona foi super atencioso comigo. Depois que entrei em contato, fizeram tudo para eu participar. Foi bem legal. Mas e as outras?
- questionou Danielle, que já participou de sete provas, sendo uma Meia Maratona em Buenos Aires, na Argentina.
Paratriatlon
Entusiasmada com os resultados, Danielle Nobile passou a treinar com mais frequência, com foco nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.
- Quando entrei na natação, notei que era uma modalidade muito concorrida. Dificilmente eu conseguiria uma vaga. Treinei esgrima, mas é um esporte muito
caro. Como gosto de nadar e pedalar, parti para o triathlon - comentou.
"Tetraplegia incompleta"
Danielle prefere chamar suas limitações de tetraplegia incompleta. A lesão na vértebra C7 praticamente cessou a sensibilidade de suas pernas.
- Minha sensibilidade não é 100%. Algumas partes são anestesiadas, outras sinto bastante, mas tenho que tomar cuidado com água quente no banho, por exemplo.
Às vezes, coloco o tênis e a meia machuca o dedo. Eu demoro a sentir e isso pode ser perigoso. Tenho que tomar muito cuidado - explicou Danielle, que tem
dificuldades em fazer o movimento de pinça com os dedos da mão.
Os médicos que participam ou participaram do tratamento de Danielle costumam dizer que a vida pró-ativa pode ser considerada uma vitória. Nenhum se arrisca
a dizer que ela possa voltar a andar, mas isso não a desanima.
- Meu primeiro sonho é voltar a andar. O segundo é disputar uma Paralimpíada - finalizou.
fonte:globo sporte
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