quarta-feira, 8 de abril de 2015
'Adaptação é constante', dizem deficientes visuais sobre universidade
Isabela (de blusa florida) diz que o apoio da família é
importante (Foto: Marcos Júnior/TV Fronteira)
Isabela (de blusa florida) diz que o apoio da família é importante (Foto: Marcos Júnior/TV Fronteira)
Com a chegada das provas, os estudantes precisam mostrar que toda a dedicação às aulas valeu a pena. Entretanto duas universitárias já deixaram claro que
não necessitam provar mais seu empenho: Isabela Rocha, de 17 anos, começou o curso de jornalismo neste primeiro semestre de 2015, enquanto a Bruna Vieira,
de 25, iniciou o curso de psicologia em 2011, e já está no penúltimo ano da faculdade. Ambas possuem deficiência visual, mas se colocam no mesmo patamar
de seus colegas de sala, que abriram os braços para elas.
Isabela, que nasceu com a deficiência, conta que nunca deixou a condição interferir em sua qualidade de vida. De acordo com ela, entrar na faculdade foi
um acontecimento que a deixou apreensiva unicamente pelo medo natural que todo estudante enfrenta ao ingressar no mundo acadêmico.
“Eu contei com o apoio da minha família, que sempre acreditou em mim”, disse ela. Isabela relata que sempre gostou da área jornalística, principalmente
pelos requisitos do mercado, que pede por um profissional crítico e analítico, que saiba dialogar um pouco de tudo com todos.
Bruna, que também nasceu com a deficiência, disse que, apesar de estar na faculdade há três anos, a adaptação ao local é constante. “Cada dia é um novo
desafio, e eu os supero com a ajuda dos meus pais, amigos e professores, que são extremamente atenciosos”, disse.
“A universidade tem que pensar em alunas como nós. A biblioteca, por exemplo, não tem acessibilidade para deficientes visuais”, completou Bruna.
Por meio de um programa no computador, que lê texto em tela, as estudantes acessam às aulas previamente pelo sistema da universidade e ficam por dentro
do que será passado em sala.
Atendendo um
pedido do G1, Isabela fotografou seus colegas de sala (Foto:
Isabela Rocha)
Atendendo um pedido do G1, Isabela fotografou seus colegas de sala (Foto: Isabela Rocha)
A professora de fotografia do curso de jornalismo, Maria Luísa Hoffmann, conta que nunca lecionou para uma pessoa com deficiência visual antes, e, por
isso, sente que está dando um passo importante na carreira. “Muitas vezes a Isabela faz coisas que eu não espero, e é uma surpresa positiva quando isso
acontece, pois mostra que o trabalho está dando resultado”, disse a professora.
A coordenadora do curso, Carolina Mancuzo, relata que Isabela é uma pessoa extremamente fácil de lidar, o que facilita todo o processo de adaptação. “Os
desafios são constantes e amadurecem a todos nós. Estamos sempre aptos a ensinar e a aprender com pessoas como Isabela”, disse.
De acordo com a coordenadora, é a primeira vez, em 20 anos de existência, que a faculdade de jornalismo recebe uma aluna como Isabela.
Preparação
Em nota, a Universidade do Oeste Paulista se posicionou quanto a acessibilidade disponível na faculdade, que fica localizada no campus II, em Presidente
Prudente. "Foi constituído, em agosto de 2013, o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), pela portaria nº 17/2013, que tem por objetivo desenvolver
políticas de acessibilidade às pessoas com deficiência, promovendo ações para a garantia da inclusão plena aos programas e serviços desenvolvidos na Unoeste."
Passo importante
Para a coordenadora da Associação Filantrópica de Proteção aos Cegos de Presidente Prudente, Eliete Marguti, a entrada das jovens deficientes visuais no
mundo acadêmico é de grande importância. “A inclusão social ainda está distante do considerado ideal, porém são jovens como elas que mostram que o caminho
pode ser percorrido”, disse.
A associação já tem 75 anos e outros deficientes visuais que passaram por ela também já ingressaram no mundo acadêmico. O atendimento prestado pelo local
visa justamente dar autonomia ao jovem deficiente visual, uma vez que muitas escolas, por vezes, não têm a estrutura necessária para atendê-las, segundo
relatou.
(Com colaboração de Marcos Júnior, da TV Fronteira)
FONTE:g1
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