sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Com que roupa eu vou?.

Nesta semana, participei da gravação de um programa de televisão sobre moda inclusiva que será exibido pela Rede Minas na semana do carnaval. A experiência foi muito boa, mas confesso que não tenho muita intimidade com as câmeras. Luzes, microfone, câmeras... me senti um peixe fora d’água! A participação no programa me fez relembrar as dificuldades que temos na escolha de uma roupa quando se trata de cadeirantes. Na verdade, esse problema não é exclusivo de cadeirante - atinge pessoas com os mais diversos tipos de deficiência. Vamos aos principais pontos destacados na reportagem: Pontos de Vendas Normalmente, compro minhas roupas no shopping ou em lojas virtuais pela facilidade de acesso. Muitas lojas de bairro possuem degraus na entrada e reduzido espaço para circulação. Por exemplo, gosto muito de comprar roupas no Bom Retiro em Sampa. Sempre que posso, dou um pulinho por lá. Com as devidas proporções, o Bom Retiro se parece com o Barro Preto aqui de BH. Só que com uma topografia mais plana. Em Sampa, a maioria das lojas possui degrau na entrada e os passeios costumam ser esburacados. Pelo volume de gente que circula na região, fica difícil transitar: acabo levando várias sacoladas, bolsadas e cotoveladas na cabeça. Mas o esforço tem valido à pena. No bairro onde moro, existe uma lojinha que gosto muito. Como costumo ir de cadeira motorizada até lá, fico no passeio enquanto a vendedora leva os produtos até mim. Detalhe: a rua é subida e existem três degraus graúdos na porta da loja. Fica engraçada a cena – uma cadeirante cheia de roupas no colo em plena rua movimentada. Como já conhece meu gosto, a Adriana costuma me mandar uma sacola com modelos que possam me agradar, via mamãe, para que possa experimentar em casa e devolver, sem ônus, o que não quiser. Vira e mexe minha mãe chega do supermercado com uma sacola cheia de animal print. Sempre que posso, acabo optando por lojas virtuais. Assim, não preciso me preocupar com espaço reduzido, prateleiras altas ou baixas demais – inalcançáveis para cadeirante que tem pouco equilíbrio de tronco – e com provadores acessíveis (itens ainda escassos no mercado). Aqui em BH, ainda são poucas as lojas que possuem provadores acessíveis. Um truque que uso para evitar os provadores é medir a cintura da calça (meço na minha cintura para ver se cabe) e a largura da blusa/vestido nas costas. Nadadora sofre com ombros largos! Escassez de produtos x custo No meu caso, como sou tetraparésica, preciso de ajuda para vestir minhas roupas. Dessa forma, prefiro experimentar roupas em casa, mais especificamente, na cama. Acabo que não preciso de nenhuma roupa especial. Por exemplo, quem tem dificuldade de movimento nas mãos ou não possui um braço, precisa de botões e casas fáceis e práticas. Quem usa bolsa de colostomia, almeja por roupas que escondam a bolsinha. Um muletante, por sua vez, precisará de um sapato confortável e que não represente risco de queda. Desconheço loja de roupas adaptadas aqui em BH. Já pesquisei alguns sites e não gostei muito. Achei os produtos caros e, muitos deles, bem feios. Como a oferta de produtos no mercado ainda é pequena, o custo costuma ser bem mais alto. Também vejo, muitas vezes, a dificuldade em aliar praticidade com o lado fashion. Por exemplo, vi um site europeu no qual vendiam um vestido branco para cadeirantes que parecia uma túnica de hospital. Horrorosa demais a roupa! E custava muitos euros... Espero que essa realidade seja modificada em breve... Principais dificuldades Cada deficiência requer um tipo específico de adaptação/cuidado. Achei muito interessante, por exemplo, quando o repórter comentou que nunca tinha prestado atenção nesse assunto. O cinegrafista, por sua vez, comentou que precisa amarrar o cadarço do tênis antes de colocá-lo no pé, já que possui má formação nas mãos. As principais dificuldades que tenho em relação a roupas estão relacionadas aos tecidos e cortes. Como dependo de terceiros para me vestir e realizar minhas transferências, evito utilizar apenas tecidos escorregadios (cetim, seda, etc). Certa vez, comprei, na Liberdade, um vestido chinês (que me foi vendido como japonês por uma coreana!) e quase voltei pelada pra casa. A cada transferência, o vestido subia um pouco. Cheguei em casa com as coxas à mostra. Já passei alguns apertos ao ser carregada com esse tipo de roupa e fui parar no chão. Mangas tipo morcego também costumam dificultar a vida de quem me carrega. Saias longas e vestidos compridos também exigem cuidado. Basta uma distração para que o pano se enrosque nas rodas da cadeira. Vestido com cauda, nem pensar! Quando fui fazer gracinha e tirar fotos com o vestido de noiva da minha irmã, faltou pouco para destruí-lo. A lerda aqui girou a cadeira motorizada, atropelando a roupa. Foi um custo desenrolar a cauda . Tenho muita sorte por ter uma mãe costureira. Mamys sempre me salva. Se a calça tem cintura baixa ou é difícil de colocar, ela sempre faz uma mágica para que fique perfeita. Pode ser uma nesga na lateral, um elástico na cintura, mudança do fecho lateral para a frente... Enfim, cada pessoa tem suas preferências. Tem gente que ama moleton ou crocs. Eu tenho verdadeiro pânico desses dois itens. Risos. O importante é se sentir bem com nosso guarda roupa e não se esquecer da importância que têm o conforto e praticidade. ¤ FONTE>rede saci

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