quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O que é que a Suécia tem em acessibilidade?

Em Estocolmo, meios-fios adaptados facilitam o embarque em ônibus coletivos. Alertas eletrônicos também anunciam o itinerário dos veículos Em Estocolmo, meios-fios adaptados facilitam o embarque em ônibus coletivos. Alertas eletrônicos também anunciam o itinerário dos veículos A convite do governo da Suécia, para tratar do tema AcessibAbility (um misto de acessibilidade com habilidade, em inglês), o Instituto Mara Gabrilli viajou 15 horas até a cidade de Estocolmo para conhecer de perto as políticas de inclusão para pessoas com deficiência daquele país. A cidade cheira a coisa nova com arquitetura antiga. Nos prédios, imensos por sinal, intermediados por grandes espaços verdes ou pelas águas (falam que Estocolmo é a Veneza do Norte), palavras escritas em sueco chamam a atenção pela singularidade. Entre klädaffär e McDonalds – sim, a globalização está em toda a parte – podemos observar uma cidade plana onde se anda de bicicleta, tem não muitos carros, porém muito trânsito devido à estrutura estreita das ruas, e o desejo de se acessibilizar a infraestrutura urbana. O país é signatário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU desde 2009 e conta com uma Agência para Participação que monitora e fiscaliza todas as ações que prevêm acessibilidade na Suécia. O país tem 343 municípios, perto de 2 milhões de habitantes, e nas cidades há uma fiscalização minuciosa quanto à aplicação das regras de inclusão. Para tanto, a agência conta com 22 unidades abaixo dela para cuidar – cada uma – especificamente sobre um item dessa agenda: mercado de trabalho, educação, assistência social, saúde, transporte, leis, coisas que podem ser consumidas, tecnologia, cultura, esporte e comunicação entre outras. A Prefeitura da cidade de Estocolmo, que tem uma ombudsman somente para tratar de assuntos sobre as pessoas com deficiência, Ms. Riitta-Leena Karlsson, é uma pessoa falante, sorridente e honesta na avaliação sobre o principal problema da inclusão quando se quer cuidar tudo com assistencialismo. “Mas estamos trabalhando duro para inverter esse processo e fazer entender que o importante é empoderar as pessoas com deficiência”, afirmou. Nesse sentido a cidade e os governantes vem trabalhando duríssimo. E o trabalho tem dado certo. Na Suécia, apenas 22% das pessoas com deficiência estão fora do mercado de trabalho, apesar de receber assistência do governo para… ficar em casa. A cidade tem 900 mil habitantes e entre 10 a 15% de pessoas com deficiência. Uma novidade, e a grande batalha no ponto de vista da ombudsman de Estocolmo, é a retirada de pessoas com deficiência de internatos, ou institutos, para a convivência com a sociedade. O governo paga uma pensão às pessoas com deficiência e com esse dinheiro eles podem se manter em uma casa funcional, ou seja, casas compartilhadas em que até seis pessoas com deficiência severa ou moderada convivem entre si e com um pequeno staff que acompanha no que for preciso. Isso porque na Suécia, quando a criança nascia com alguma deficiência, os pais podiam deixá-la em uma intitutição. Assim, muitas pessoas viviam nessa condição – longe dos parentes, longe de tudo. Hoje, essas instituições são proibidas e todas essas antes crianças, agora adultos ou jovens, estão sendo transferidas para essas casas. Ali podem conviver, fazer amigos, e até casar – como em alguns casos já aconteceu. Então, havia uma pedra. A caminho do Palácio Imperial, um lugar lindo, antigo, repleta de histórias e casas seculares, passamos por um pequeno centro comercial, com lojas de grandes marcas. Fizemos o roteiro a pé para identificar o observar a acessibilidade na arquitetura da cidade. Então, pudemos observar que no meio do caminho havia uma pedra. Havia uma pedra no meio do caminho. Como diria Drummond. A ombudsman da cidade de Estocolmo, Ms. Karlsson, que nos acompanhou pelo percurso, apontou pessoalmente o que impede a total acessibilidade da cidade. Na entrada das lojas, em especial as mais antigas, ainda há marcas da cultura de anos que não quer se dobrar ante a universalidade do ser humano: existem degraus da rua para dentro das lojas. E muita, muita propaganda em mini-postes espalhados pelo calçadão e pelas calçadas. Ms. Karlsson não teve dúvidas: tirou ela mesma uma dessas propagandas. “Isso é um absurdo. Eles sabem que não podem fazer isso, mas ainda assim fazem. Precisamos tomar mais providências”, disse. Mas o fato é: a cidade de Estocolmo não é 100% acessível para pessoas com deficiência. A jornalista Christiane Link, nascida alemã mas residente em Londres, que nos acompanhava em comitiva – e que é cadeirante – afirmou que a cidade não é seu destino favorito – seja a lazer ou trabalho – por esse motivo. Ms. Karlsson ficou vexada mas a verdade está estampada nas calçadas e em muitos lugares. Uma verdade à la Drummond e que pode ser notada em todas as faces do mundo: as pessoas resistem à mudança. Apesar de ser pelo bem de todos. E isso sim está arraigado na cultura desse país nórdico. Eles têm a vontade de mudar em respeito à democracia que dá a todos direitos iguais. Se é para todos, não tem a discussão do que é incluir. Para todos é para todos e basta. Mas as pedras, meus caros, podem ser claramente observadas tanto aqui na Suécia quanto no Brasil. E a conversa com a Ms. Karlsson rendeu ainda tantas outras histórias. Uma mulher entusiasta, de fibra, que luta na cidade por mais acessibilidade e repeito às pessoas com deficiência. Ela voltou a falar das residências inclusivas. Disse da dificuldade que foi implementar essa política de inclusão – até por conta da vizinhança. Alguns suecos não queriam esse “tipo de casa” ao entorno da sua, que por vezes é cara e poderia desvalorizar seu patrimônio. É muito estranho e importante assistir que alguns tipos de conduta são inerentes ao ser humano, independente da educação, de onde tenha nascido e com quem conviva. Apesar de exemplos ruins, Ms. Karlsson diz se impactar apenas pelos bons. Ela relatou que sentiu “chacoalhar a alma” quando foi em uma dessas residências e visitou dois ex-internos que foram mostrar, com entusiasmo de criança que ganhou seu primeiro presente, quais eram seus mais importantes objetos pessoais. Um indicou o seu nome escrito na porta do prédio – na Europa, as casas tem os nomes das pessoas que ali residem na entrada -, colocando naquele pequeço de metal um valor sem preço – em internatos, eles não tem nome e nem identidade assim tão pessoal. O segundo, mostrou o local onde toma banho como sendo para ele essencial ter esse espaço seu. Por fim, a história de um autista que no internato comia objetos – tudo pela frente – e que quando foi para uma residência inclusiva passou a comer apenas.. comida. Pequenas mas importantes mudanças no empoderamento das pessoas com deficiência que as transformam em cidadãos integrantes, enfim, do sistema social. A leitura como ferramenta de inclusão A bibliotecária da Agência para Participação do Instituto Sueco, Ms. Anna-Karin Hugo nos mostrou um pouco sobre a inclusão na literatura sueca. Livros em braille e livros falados – há aqui uma diferença entre “talking books” e “audio books”, enquanto o primeiro trata de livros inclusivos, o segundo é comercialmente vendido – são importantes ferramentas de inclusão e toda a biblioteca sueca é obrigada por lei a dispor desses materiais. Eles têm 17 mil títulos em braille, 100 mil talking books para downloading, todos totalmente de graça se você se inscrever no site http://www.legimus.se. Além de contar diariamente com 100 jornais suecos gravados em áudio apesar de a versão impressa. Diariamente. Isso é inclusão. Outra coisa interessante, o sistema DAYSI – usado no mundo todo – é.. ulalá.. sueco, claro! E eles se sentem muito contentes e orgulhosos em exportar tecnologia de inclusão para uso do mundo inteiro. E falando em tecnologia, não há como não citar o Museu Nacional de Ciência e Tecnologia da Suécia. Um espaço gigantesco que pretende investir na criação de novos inventores – em especial trazendo crianças para o convívio das invenções. Segundo os coordenadores do Museu, eles usam a história para construir o futuro. E justamente pensando no futuro que desenvolveram uma grande exposição chamada MegaMind, que explora os sentidos, a colaboração e a acessibilidade. O Museu recebe perto de 350 mil visitas ao ano e desses, 66 mil são alunos. Além de mapa táteis que exibem todo o itinerário da mostra, ainda pedestais eletrônicos em frente a cada equipamento da mostra contêm informações em todos os formatos – em alto contraste, somente em audio ou em língua de sinais. Ou seja, qualquer pessoa tem acesso à explicação e ao que se serve aquele equipamento da mostra. Quando se trata de tecnologia, a Suécia realmente é um exemplo de acessibilidade. A grande missão da cidade de Estocolmo (como a da cidade de São Paulo e de outras cidades brasileiras e para os brasileiros com deficiência – mais do que esperamos, lutamos para), é garantir que a pessoa com deficiência possa viver com qualidade de vida e igualidade de oportunidades na participação da vida em sociedade. Nos últimos quarto anos, a Suécia investiu algo em torno de 100 milhões de coroas suecas em acessibilidade. Isso é mais do que o mínimo que podemos esperar. E Estocolmo vem mostrando sua intensa dedicação e empenho nesse quinhão. Fonte: Vida Mais Livre

Ifal oferta curso de guiamento turístico de cegos

Desde maio deste ano, cerca de 70 profissionais e estudantes da área de Turismo estão passando por aulas de Guiamento Inclusivo no Campus Maceió, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). São aulas na área de legislação, além de apontamentos sobre o perfil e a elaboração de roteiros turísticos para cegos. A ideia foi elaborada por duas alunas no curso de Gestão em Turismo, como projeto de extensão e surgiu depois de participarem da disciplina de Turismo Inclusivo. Fabiana Viana e Monique Morais já haviam passado pela disciplina e agora, como instrutoras do curso de extensão, repassam para os guias de turismo e comunidade interessada o conhecimento adquirido no relacionamento e planejamento de ações com os turistas cegos. No projeto de extensão, elas discutem a acessibilidade e as barreiras do lazer turístico para aquele público. Entre as aulas práticas está o vedamento dos olhos de parte dos alunos e o posicionamento de seus colegas na função de guias, para que percorram os corredores do Instituto e enfrentem os obstáculos comuns vivenciados diariamente pelos cegos e assim possam se sensibilizar com a situação daquele público. Veja vídeo. “O curso busca nos colocar como nos sentiríamos enquanto deficiente, por exemplo, como queremos ser segurados pelo guia, na hora de entrar no carro. Simulamos a possibilidade de localizar o deficiente na praia. Como é que o deficiente pode chegar até ela? Será que ela é acessível. Como é que nos devemos nos comportar enquanto guias?”, detalhou Nazarethe Campos, aluna do curso e guia turístico nacional. Iniciativa surgiu de graduandas Monique lembra que o projeto surgiu após um levantamento que ela e outro aluno do curso de Gestão em Turismo, Thamyson Medeiros, realizaram, em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em que se verificou que, apesar de mais de 90% dos pontos turísticos de Maceió estarem acessíveis para pessoas com deficiência física ou motora, apenas 27% desses locais estão aptos a receber pessoas com deficiência visual e apenas 18% deles são acessíveis para pessoas com deficiência auditiva. “Essa estatística não saiu da minha cabeça e percebi a necessidade de fazer alguma coisa para mudar essa realidade. Entrei em contato com a Fabiana e iniciamos as pesquisas acerca do tema. Apresentamos a proposta a professora Valéria Goia, que aceitou participar do projeto e usamos toda a experiência teórica adquirida nas aulas de Turismo Inclusivo”, lembrou Monique. Para elaborar o curso, elas ainda contaram com a ajuda do presidente da Associação de Cegos de Alagoas (ACAL), Roberto Freire, que as apresentou a audiodescrição, recurso que permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinema, teatro, passeios, casamentos, programas de televisão e outros. Fabiana relata que os guias encontram dificuldades em como adaptar o seu trabalho, geralmente voltado para os usuários videntes aos cegos. Parte dos museus, por exemplo não tem audiodescrição, o que impossibilita aos usuários ter acesso aos utensílios a partir da fala. Então caberia aos profissionais repensar nos itinerários e adaptá-los as limitações de seus usuários. “É completamente diferente. O guia tem que se preocupar desde a hora que ele pega o deficiente no hotel, até o seu retorno. Como o cego não pode ver, então o guia terá que se preocupar um pouco mais a dar atenção ao usuário que possui essa limitação”, enfatiza Fabiana, ao lembrar também que os restaurantes e demais espaços turísticos de Alagoas não possuem as adaptações necessárias aos deficientes físicos. Projeto nasceu em disciplina que estuda formas de trabalhar com públicos especiais Valéria Goia, responsável pela disciplina de Turismo Inclusivo, relata que desde 2003 já vem promovendo aulas voltadas para o atendimento de pessoas com necessidades especiais. Nesse tempo, ela buscousensibilizar os alunos paratrabalhar com públicos especiais, sejam aqueles que apresentam limitações visuais, auditivas, ou de locomoção, como também aqueles cujas especificidades são outras, como obesos, gestantes e o público LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros]. “Como era uma disciplina muito abrangente, a gente reformulou o curso e mudamos a nomenclatura para Turismo Inclusivo, em 2009. Desde o início a gente fez contato com a escola de cegos Ciro Accioly, entrevistamos deficientes visuais. Eu aprendi na escola como ajudá-los a se locomover em eventos, por exemplo, e passamos isso para os alunos”, lembra Valéria. O curso de Guiamento Inclusivo também possui a participação de outros cegos. “Os relatos que ouvimos de pessoas com deficiência visual que tiveram e tem dificuldades no dia a dia para se locomover e ainda sofrem preconceito são impactantes. É maravilhoso saber que o curso não beneficia apenas os guias de turismo, que é o público-alvo, mas também as pessoas com deficiência visual”, se entusiasma a graduanda. No dia 30 de agosto as duas primeiras turmas terminarão o curso. Osencontros acontecem todas as terças-feiras.Nestas últimas semanas de aulas, os alunos estão sendo instigados a pensar em roteiros turísticos apropriados e deverão realizar no próximo dia 23 uma experiência real de guiamento com cegos pela cidade de Maceió. Início de novas turmas Como Fabiana e Monique perceberam o interesse de outros profissionais pelo curso, já em setembro serão iniciadas outras duas novas turmas e desta vez, serão abertas vagas para 100 participantes, com inscrições gratuitas. O curso também acontecerá no Campus Maceió. ”Já existe uma lista de espera com mais de 70 nomes de interessados dos estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia e também recebemos o convite para levar o curso à cidade de Aracajú, para fazer um curso lá”, pontuou Monique. A data das inscrições ainda não estão disponíveis, mas é possível acompanhar e buscar novas informações no perfil do Facebook, do curso Guiamento Inclusivo. Fonte: site Aqui Acontece.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Pessoas com deficiência poderão ter atendimento de saúde mais próximo

Usuários da rede municipal de saúde com dificuldade de locomoção, como idosos ou pessoas com deficiência, estão mais próximos de ter o atendimento garantido na unidade que fica mais perto de sua residência. Segundo a autora do projeto aprovado por unanimidade em primeiro turno na sessão desta quarta-feira (10), a divisão dos distritos sanitários gera queixas da população. “Muitas vezes um morador de uma determinada rua, próxima de uma unidade de saúde, é direcionado a se cadastrar em outro bairro, mais distante, afirmou. Para ter essa prerrogativa, o usuário da rede teria que fazer um cadastro, com a apresentação de comprovante de residência e de atestado médico. A proposição, com o substitutivo inclui um inciso no artigo 92 do Código de Saúde de Curitiba, que trata da pessoa portadora de deficiência. A autora disse ter recebido reclamações de cidadãos que moram no Tarumã, perto de uma unidade do bairro, e têm que procurar atendimento no Atuba. “Outros residem perto da Ouvidor Pardinho e hoje têm que ir para o Santa Quitéria”, acrescentou. “Respeitamos o Executivo neste mapeamento que é feito, mas existem exceções. Queremos que a administração entenda que em certas situações é importante facilitar o acesso. O foco são pessoas com dificuldade de locomoção.” A presidente da Comissão de Saúde, Bem-Estar Social e Esporte da Câmara sugeriu ainda uma “avaliação do mapeamento feito pela Secretaria Municipal da Saúde”. Essas pessoas deslocadas a outras unidades, avaliou outro vereador que faz parte do colegiado, “perdem também o vínculo com o médico que as atendia”. A matéria terá que passar por nova deliberação em plenário, na próxima segunda-feira (15), antes de seguir para a sanção ou veto do Executivo. Se virar lei, a regra começará a valer a partir da publicação no Diário Oficial do Município (DOM). Fonte: site Bem Paraná – (foto: Divulgação/SMCS).

Paralimpíadas inspira novo guia de passageiros da Abear

Guia do Passageiro Voar Melhor 2016, da Abear Guia do Passageiro Voar Melhor 2016, da Abear A Abear ( Associação Brasileira das Empresas Aéreas) lançou a segunda edição do Guia Voar Melhor, voltado para passageiros de primeira viagem. Neste ano, o foco do material é a acessibilidade de pessoas com deficiência, para aproveitar a proximidade das Paralimpíadas. Como explicou Eduardo Sanovicz, presidente da Associação, este é um tema que precisa ser discutido e do qual se sabia pouco. “Precisamos admitir que falta informação para tratar a acessibilidade. Começamos a percorrer esse caminho promovendo um debate com especialistas, passageiros com deficiência e companhias aéreas. Este Guia atualizado é um dos resultados que já alcançamos”, disse. O Voar Melhor 2016 está disponível no site da Abear e conta com sete capítulos divididos entre compra de passagens; preparativos para viajar; aeroporto; avião; desembarque; acessibilidade, e links e telefones úteis. Turistas mais experientes também podem recorrer ao material para aproveitar algumas dicas. A necessidade de criar uma ferramenta deste tipo surgiu com a democratização das viagens aéreas no Brasil e o aumento de passageiros novos. “Após a liberação tarifária, o setor experimentou um aumento significativo no número de passageiros transportados. Pulamos de 30 para 100 milhões em quase dez anos”, afirmou Sanovicz. A primeira edição foi lançada durante a Copa do Mundo de 2014. Outro objetivo da associação é tornar a aviação um meio de transporte ainda mais popular, com mais opções de destinos. O evento de lançamento ocorreu nesta terça-feira (26/07), em São Paulo. Além da equipe da Abear, o encontro contou com três convidados. O fundador do blog Viajenaviagem.com, Ricardo Freire, falou sobre o perfil do turista. As sócias Paula Ferrari e Selma Rodeguero, da Thea Eventos, empresa que capacita pessoas com deficiência para o mercado, falaram sobre acessibilidade. Já a psicóloga Rosana Bohrer debateu o medo de voar. Fonte: Mercado & Eventos

Dificuldades financeiras e jurídicas criam temor de Paralimpíada 'esvaziada' no RIO

Problemas financeiros e jurídicos têm criado o temor de que a Paralimpíada do Rio de Janeiro, que começa em 7 de setembro, possa ser uma versão “esvaziada” da maior festa do esporte para as pessoas com deficiência. A preocupação existe entre os dirigentes do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na singla em inglês), que nos últimos dias tiveram reuniões de emergência com o Comitê Organizador da Rio 2016 e autoridades brasileiras para discutir uma saída. O problema principal é de caixa. A começar pela baixa venda de ingressos para a Paralimpíada – segundo números oficiais, apenas 31% das entradas disponíveis foram vendidas, um total que levaria em conta 500 mil delas compradas pela Prefeitura do Rio para serem distribuídas em escolas da rede municipal. Isso provocou um encurtamento de receitas projetadas, o que foi agravado por problemas de infraestrutura da Olimpíada, especificamente os reparos de emergência nos prédios da Vila dos Atletas. A competição também não escapou de ser afetada pelo aperto de cintos no orçamento olímpico anunciado em janeiro pela Rio 2016, em que houve cortes de custos sob a forma da redução no número de voluntários e no uso de veículos oficiais, por exemplo. A Rio 2016 já anunciou novas reduções para os Jogos Paralímpicos, embora negue que as medidas “afetarão a experiência dos atletas”, o que, a princípio, descarta cortes no número de provas e eventos. Ajudas de custo O problema é que o esporte paraolímpico é bem mais sensível que o olímpico a mudanças orçamentárias: delegações, por exemplo, dependem de ajuda de custo para viagens e esse montante ainda não foi pago pela Rio 2016 para uma série de associações nacionais – um total estimado em mais de R$ 24 milhões. Especula-se que pelo menos 60 delegações poderiam ter problemas para participar dos Jogos caso o pagamento não seja feito. A BBC Brasil apurou que o problema tornou delicado o clima entre o IPC e a Rio 2016. O movimento paralímpico teme que um evento esvaziado e que a publicidade negativa já gerada pelos problemas represente um passo para trás nos progressos feitos pelo esporte para pessoas com deficiência, depois do sucesso da Paralimpíada de Londres. O evento de quatro anos atrás foi considerado o mais bem-sucedido de todos os tempos, com arenas lotadas e amplo interesse da mídia. “O sucesso de Londres colocou pressão sobre o Rio, e o movimento paralímpico esperava uma evolução (para esta Paralimpíada). Há uma preocupação muito grande com a baixa venda de ingressos e a estratégia da Rio 2016 para o evento. O que é uma pena, porque em termos de instalações e infraestrutura para atletas e público as coisas parecem estar bem”, disse à BBC Brasil uma fonte ligada ao IPC. O IPC também sente que a Paralimpíada está sendo negligenciada pela Rio 2016. Em um briefing de imprensa realizado no domingo, o diretor de comunicações da Rio 2016, Mário Andrada, disse que a verba de viagem seria paga até sexta-feira. Ele admitiu que o comitê precisa de ajuda financeira. “Estamos falando de um planejamento fluido, que depende de negociações de patrocínio, venda de ingressos. Mas para o nível de serviço que queremos oferecer na Paralimpíada, hoje vamos precisar de uma ajuda financeira. Ela pode ser reduzida ou anulada amanhã, porque há uma série de elementos em um evento desta magnitude. Estamos negociando com patrocinadores e autoridades. Todo dinheiro que entrar vai ser aplicado nos Jogos”, afirmou Andrada. Recursos públicos Na semana passada, tanto o governo federal quanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciaram a intenção de injetar um montante de verbas públicas no orçamento olímpico, que poderiam ultrapassar R$ 300 milhões. No entanto, na sexta-feira a Justiça Federal do Rio determinou que União e poder municipal não repassem recursos até que a Rio 2016 abra suas contas, além de também aplicar multa de R$ 100 mil por dia caso recursos já aportados sejam usados pelo comitê. A Rio 2016 tenta desde o início de segunda-feira derrubar a liminar. A polêmica com o uso de verbas públicas já vinha desde antes da liminar, porém. Em ano de eleições municipais, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro vetou a distribuição dos ingressos, decretando que a própria compra poderia constituir uso da máquina pública com fins de campanha. “Os cortes que a gente tiver que fazer nos Jogos Paralímpicos para manter o orçamento equilibrado a gente vai fazer sem sacrificar a qualidade da experiência paralímpica e sem sacrificar nada que reflita nos atletas e na qualidade da recepção que se dará a eles”, disse Andrada.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

700 mil brasileiros poderiam estar enxergando com diagnóstico precoce de glaucoma

O glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo, perdendo apenas para a catarata, segundo um estudo realizado pela Evidências – Kantar Health. Irreversível, a doença atinge o nervo ótico, que faz a transmissão de imagens do olho para o cérebro. Desenvolvendo-se lentamente, o paciente não percebe que possui o glaucoma até perder 90% do nervo ótico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 285 milhões de pessoas no mundo vivem com baixa visão ou cegueira. No Brasil, o número de cegos chega a 1,2 milhões, dos quais cerca de 60% a 80% são casos evitáveis ou tratáveis. Em entrevista para o Bahia Notícias, Remo Susanna Júnior, professor e chefe do departamento de oftalmologia da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que é de extrema importância a visita frequente ao oftalmologista, principalmente para os pacientes que possuem histórico familiar da doença. 700 mil brasileiros poderiam estar enxergando se tivessem recebido diagnóstico e tratamento apropriado a tempo, ainda de acordo com a OMS. Cerca de 2% da população mundial é afetada pelo glaucoma, podendo chegar a 7% em pessoas com mais de 70 anos, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O que é o glaucoma? Quais são os sintomas? Oglaucoma é uma lesão do nervo ótico. O nervo ótico é o nervo que conduz a imagem do olho ao cérebro. Ele não tem dores, não sente frio ou calor, só transmite a imagem. O glaucoma leva essa estrutura impedindo a comunicação do olho com o cérebro. De tal forma, que mesmo com o cérebro em perfeito estado, a pessoa não enxerga. É uma doença geralmente associada as pressões intra-oculares elevadas, mas não obrigatoriamente. Pode ter uma pessoa que tenha uma pressão média baixa no olho, mas que aquela pressão seja alta para aquele olho, o que pode danificar o nervo. Existem 25 tipos ou mais de glaucoma. O mais comum deles, que é chamado glaucoma de ângulo aberto, ocorre praticamente entre 4 a 6% da população acima de 45 anos e de 10 a 12% das pessoas acima de 65 anos. O glaucoma é totalmente assintomático, a pessoa não percebe nada. Quando a pessoa começa a perceber mesmo, ela já perdeu 90% do seu nervo ótico. Daí um fato importantíssimo que é o diagnóstico da doença pelo médico. É muito importante que familiares de pacientes que tiveram glaucoma sempre alertem o seu oftalmologista e perguntem qual é o estado do nervo ótico e como está a pressão. Os familiares têm entre 10 e 15% de mais chances para desenvolver a doença do que quem não tem histórico na família. Qual é o grupo de risco da doença? Quais são as formas de prevenção? Os negros têm mais tendência a ter o glaucoma. Chega a ter quase o dobro de chance de desenvolver a doença. Os diabéticos e os míopes também têm mais tendência. Esses são os principais grupos de risco. Para prevenir a doença, o paciente deve ir regularmente a um oftalmologista e se ele tiver um parente com glaucoma, deve avisar ao seu médico. Se a pessoa estiver nos grupos de risco, deve obrigatoriamente passar no oftalmologista uma vez por ano. Normalmente o paciente não frequenta o oftalmologista por achar que está enxergando bem. Mas isso não é argumento porque, como eu disse, o paciente só vai perceber a doença quando já perdeu quase 90% do nervo ótico. Então é uma excelente oportunidade de detectar a doença antes que ele note. Como é viver com a doença? Existem tratamentos novos? Possíveis curas? Não existe cura para o glaucoma. O glaucoma é controlável, mas não é curável. Existem vários tratamentos e várias formas novas de tratamento, como colírios novos mais potentes. Geralmente se começa o tratamento com colírios e, quando eles não são suficientes, em alguns casos são usados lasers, e quando isso também não é suficiente existem vários tipos de cirurgias possíveis e colocação de implantes no olho para aumentar a drenagem e diminuir a pressão do olho. Isso é importante porque, embora a pressão não seja tão importante para o diagnóstico da doença, ela é crucial no tratamento. É o único fator que nós podemos mudar para reduzir ou parar a progressão da doença. Para o paciente que se submete a cirurgia, qual o tempo médio de recuperação? A cirurgia mais comum é a trabeculectomia que tem o tempo médio de recuperação entre 4 a 6 semanas. Nessa cirurgia se faz um pertuito no olho que não existia. E o organismo vai querer fechá-lo através do poder da cicatrização, que é uma das armas mais poderosas que o ser humano possui. O que nós temos que evitar é que o pertuito cicatrize, ele deve manter aberto. Esse período de 4 a 6 semanas é decisivo para que haja um controle disso. Quando se opera o glaucoma o problema da pressão está resolvido? Entre 85% a 95% dos casos a gente consegue baixar a pressão com auxílio de colírios ou só com a cirurgia. Em torno de 85% a 95% você consegue abaixar essa pressão com a cirurgia convencional. Quando isso não é alcançado, podemos ir aos implantes que irão começar o ciclo destrutivo, onde a parte do órgão que produz líquido no olho é destruída, assim ele produz menos líquido, diminuindo a pressão. As pessoas ainda costumam confundir glaucoma e catarata. Quais as diferenças entre elas? A catarata é uma doença do cristalino. É uma opacidade do cristalino, que é a lente que você tem dentro do olho. Você tem duas importantes lentes no olho: uma é a córnea, que tem 44 graus na sua parte central e só tem meio milímetro de espessura; e a lente interna, essa assim é auto regulável, foca em várias posições da visão, que é o cristalino, que tem esse nome por ser tão transparente como o cristal. Quando ele se opacifica, ele se chama catarata. Operando-se a catarata, substituindo essa lente do olho que travou por uma outra, o paciente recupera totalmente a visão. Já o glaucoma, o que ele perdeu é irreversível. A cirurgia não reverte a parte que foi perdida da visão. A cirurgia com o tratamento diminui a chance de a doença continuar progredindo. Recentemente em mutirões de glaucoma e catarata alguns pacientes ficaram cegos e tiveram que tirar o globo ocular. Os casos ocorreram em mutirões de São Paulo e na Bahia. Existe riscos nesse tipo de atendimento? Existe, tanto é que aconteceu isso. Não foram cirurgias de glaucoma, foram só cirurgias de catarata. Não existem mutirões de glaucomas disseminados no Brasil, de vez em quando pontualmente fazem-se os mutirões para diminuir a fila de espera dos hospitais. Mas isso ocorreu em uma cirurgia de catarata por contaminação seriada que levou a uma infecção intraocular gravíssima que acaba gerando, com frequência, uma remoção do globo ocular. Qual é a probabilidade da cirurgia dar certo? Apesar do tratamento nos Estados Unidos, no último recorte que saiu, 15% dos pacientes tratados fiaram cegos. Mesmo tratados. O tratamento não significa que o paciente vai evitar a cegueira. O tratamento correto, bem seguido, com o paciente usando a medicação como prescrita, essa sim evita a cegueira. Mas o simples fato de tratar não quer dizer que o paciente não fique cego. O paciente precisa frequentar o oftalmologista, fazer exames de campo visual, medidas de pressão e picos de pressão. O paciente com glaucoma tem que ser sempre bem tratado e realizar exames frequentemente para verificar o estado da doença, além de seguir rigorosamente a prescrição médica. Fonte: http://www.bahianoticias.com.br/saude/entrevista/375-700-mil-brasileiros...

Deficiente visual diz como é pedalar de Olinda a Boa Viagem toda semana

A viagem mais longa feita por Vinícius e Alexandre foi para a praia de Atapuz, percorrendo 126 quilômetros (ida e volta) / Foto: Luiz Pessoa/NE10 A viagem mais longa feita por Vinícius e Alexandre foi para a praia de Atapuz, percorrendo 126 quilômetros (ida e volta) Foto: Luiz Pessoa/NE10 Para o jornalista Vinícius Passos, de 24 anos, os únicos obstáculos para andar de bicicleta nas ruas da Região Metropolitana do Recife (RMR) são os buracos. Deficiente visual, ele é apaixonado por esportes. Pratica futebol e frequenta academia. A bike entrou na vida dele ainda quando criança. "Perdi a visão aos 13 anos e, antes disto, já andava de bicicleta. Depois que fiquei cego, fiquei impossibilitado". A situação mudou em 2013, quando Vinícius recebeu o convite do vizinho, o músico e empresário Alexandre Costa, para acompanhá-lo nos passeios em uma bicicleta dupla. "Fiquei muito feliz, pois pude dar continuidade ao que já fazia antes", afirma o jornalista. A história aconteceu ao acaso: Alexandre havia comprado a bike para estimular a esposa a andar com ele. Ela inicialmente recusou o convite e Alexandre encontrou em Vinícius um grande parceiro. De 2013 para cá, foram muitas viagens feitas de bike. A mais longa ocorreu para a praia de Atapuz, em Goiana, litoral pernambucano, percorrendo 126 quilômetros (ida e volta). "Nestes locais a gente faz amizades, descobre novos lugares, é maravilhoso", declara Vinícius. Vinícius e Alexandre pedalam, em média, uma vez por semana, por duas horas, o que soma 35 a 40 quilômetros percorridos. Os trajetos quase sempre vão de Olinda até a praia de Boa Viagem, no Recife. O jornalista explica que, apesar de a pessoa da frente ser a que guia a bicicleta, quem está atrás precisa ter uma boa percepção de tempo e espaço. "Não é tão fácil quanto se pensa. É preciso ter uma sintonia com a pessoa com a qual você faz dupla", relata. O bem-estar que andar de bicicleta proporciona a Vinícius é tão grande que ele gostaria de estender a outras pessoas deficientes visuais. É tanto que ele e Alexandre têm o desejo de adquirir mais bicicletas duplas. "Pena que elas são muito caras e não vendem aqui em Pernambuco. Custam cerca de R$ 3.000, é muito caro", explica Alexandre. ABIC - Em dezembro do ano passado, Vinícius abriu, juntamente com seu pai, que também é deficiente visual, a Associação Brasileira para Inclusão das Pessoas Cegas (ABIC), que funciona no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. No local, as pessoas cegas desenvolvem várias atividades, como a prática de goalball e de futebol de cinco. "Nós gostaríamos muito de trazer as bicicletas duplas para a associação e estimular o pessoal a andar de bike. Mas além de ser caro, precisaríamos de voluntários", acrescenta Vinícius. fonte:jornal do comercio