terça-feira, 2 de maio de 2017
A bengala verde e a busca por visibilidade
As pessoas com deficiência visual – pessoas cegas ou com baixa visão – enfrentam inúmeras dificuldades no cotidiano. Contudo, as pessoas com baixa visão,
em particular, enfrentam dificuldades por viverem em um estado ambivalente no qual não há nem ausência nem presença total de visão, o que gera confusão,
desconfiança, situações constrangedoras e discriminação, tanto por pessoas que enxergam quanto por pessoas cegas.
São inúmeras experiências vivenciadas por pessoas que buscam autonomia, independência e reconhecimento em uma sociedade que, por sua vez, ainda não as
identifica como parte de um grupo de pessoas com deficiência visual. Isso com base, inclusive, na concepção errônea de que todos os usuários de bengala
são cegos, sendo que a grande maioria das pessoas com baixa visão também precisam desse instrumento para a orientação e mobilidade.
Em 1996, justamente para enfrentar essas dificuldades específicas do universo da baixa visão, a professora uruguaia de educação especial Perla Mayo, que
atua na Argentina, criou a bengala verde – cor que representa a esperança, de “ver-de outra maneira”, de “ver-de novo”.
Com isso, a intenção da diretora do Centro Mayo de Baja Visión, localizado em Buenos Aires, foi contribuir para a aceitação do uso da bengala pelas pessoas
com baixa visão (que rejeitam muito a bengala branca por ser um símbolo da cegueira), para a identificação da pessoa com baixa visão pelas outras pessoas
e para a construção de uma noção de pertencimento a um grupo ainda imerso na invisibilidade social.
A novidade teve uma repercussão tão positiva que dois anos depois, em 1998, Mayo apresentou no Congresso Mundial de Baixa Visão, em Nova Iorque, nos Estados
Unidos, uma pesquisa sobre o uso da bengala verde.
Já no campo jurídico, no dia 27 de novembro de 2002, foi aprovada na Argentina a Lei nº 25.682 que estabelece a bengala verde como instrumento de orientação
e mobilidade para as pessoas com baixa visão, garantindo, inclusive, cobertura obrigatória por parte do Estado e dos planos de saúde. Segundo Mayo, atualmente,
mais de dez mil argentinos utilizam a bengala verde no país que comemora, em 26 de setembro, o “Día del Bastón Verde”.
No momento, outros países difundem o uso da bengala verde – Nicarágua, Colômbia, Paraguai, México, Equador, Bolivia, Costa Rica, Venezuela e Uruguai –
por meio de ações como, por exemplo, a campanha desenvolvida pela Unión Nacional de Ciegos del Uruguay “Luz verde para la baja visión”. Além disso, o país
vizinho também possui legislação sobre o tema semelhante a da Argentina, a Lei nº 18.875, aprovada pelo governo uruguaio em 14 de dezembro de 2011.
No Brasil, no dia 13 de dezembro de 2014, na cidade de São Paulo, durante as comemorações do Dia Nacional dos Cegos, ocorreu o lançamento, pelo Grupo Retina,
do Projeto Bengala Verde. E a instituição, atualmente, promove a “Campanha Bengala Verde” para promover a iniciativa em território nacional.
No entanto, em comparação aos profissionais, às pessoas com deficiência e às instituições representativas dos países da América Latina, os brasileiros
ainda precisam aprofundar e qualificar o debate sobre o tema, com a ampla participação das pessoas com baixa visão e de diversos setores da sociedade.
Afinal, o que parece ser, em princípio, apenas uma mudança de cor, na verdade, representa uma efetiva oportunidade para informar sobre as características
da baixa visão e as dificuldades enfrentadas por seis milhões de pessoas que vivem entre o “ver” e o “não ver”.
fonte bem paraná
DISPOSITIVOS PARA ACESSIBILIDADE EM SALAS DE CINEMA
O terceiro dia da CinemaCon 2017 contou com a primeira palestra sobre acessibilidade em salas de cinema para espectadores com deficiência visual ou auditiva.
O painel voltado ao mercado dos EUA trouxe executivos da NATO, Sennheiser, QSC Cinema, Bow Tie Cinemas, Sony Digital Cinema, Dolby e Regal, para falar
da nova exigência do Departamento de Justiça americano sobre a implementação de dispositivos para acessibilidade em salas de cinema até o dia 2 de junho
de 2018.
Dispositivos para acessibilidade em salas de cinema
A
lei norte-americana
exige a instalação de dispositivos para acessibilidade a cada duas telas e pelo menos dois por complexo, no entanto, a regra também permite a avaliação
de cada caso, já que muito cinemas não tem condições financeiras para a adequação. Complexos que se regularem podem ter impostos reduzidos ou até mesmo
liquidados.
Mercado de dispositivos para acessibilidade em salas de cinema
A Dolby apresentou suas soluções já conhecidas no mercado como o Captiview, dispositivo para acessibilidade colocado nas poltronas dos cinemas para o espectador
ler as legendas closed caption do filme, e o Fidelio, equipamento conectado a um fone de ouvido utilizado pelo espectador para obter a amplificação do
áudio do filme ou a audiodescrição. A companhia também mostrou o AccessLink, sistema de distribuição de áudio e imagem para as suas soluções.
A QSC também mostrou seus novos dispositivos para acessibilidade em cinemas: o UPC-28C, sistema de infravermelho para audiodescrição e closed caption que
alcança de 350 a 500 poltronas; o IRH-280, um fone de ouvido que tem seus dois canais de som com sensores infravermelhos e o CCR-100, aparelho de closed
caption e audiodescrição que se encaixa no porta-copo de cada assento.
Já a Senheiser, companhia alemã que desenvolve dispositivos para acessibilidade, apresentou o sistema CinemaConnect, que funciona com um software instalado
no cinema que se conecta com o espectador por meio de um aplicativo para celular, oferecendo audiodescrição.
Fonte: Portal do Exibidor
Projeto brasileiro para velocistas cegos disputa prêmio mundial de tecnologia
O Brasil será representando por um projeto desenvolvido no Amazonas na disputa pelo Sports Technology Awards, prêmio internacional de tecnologia para o
esporte. A iniciativa brasileira consiste em dar autonomia a velocistas cegos, orientados por estímulos táteis a partir de sinais emitidos por sensores
nas pistas de atletismo.
A coordenadora do Centro de Inovação em Controle, Automação e Robótica Industrial (Cicari), Ana Carolina Oliveira Lima, explica a abordagem da concepção
da ideia, em 2012, até a expectativa de revolucionar uma modalidade paralímpica.
“Gostaríamos que algum dos nossos protótipos, seja o bracelete ou o macacão, já na forma de produto, pudesse transformar a concepção atual de corrida de
pista em jogos paralimpícos”, afirma a pesquisadora, em referência ao fato de a tecnologia dispensar a necessidade de um segundo atleta ao lado dos competidores
deficientes visuais.
A especialista destaca, ainda, o papel que a iniciativa terá para os atletas no futuro. “Eu acredito que esse tipo de tecnologia possa beneficiar as futuras
gerações, para que não precisem mais de guias para executar essas competições. E o Brasil está sendo o primeiro País a levar esse conceito”, completou.
Indicação
A indicação para o prêmio recaiu sobre o grupo de pesquisa Cicari, autor do projeto Meu Guia, com apoio de dois editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), agência do MCTIC.
“Todo esse trabalho só saiu por causa do CNPq”, ressalta a pesquisadora, que também coordena o Núcleo de Tecnologia Assistiva da Universidade Federal do
Amazonas (Ufam), programa liderado pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI).
O Cicari é finalista na categoria “melhor inovação em vestimenta” e, segundo a coordenadora, tem pela frente
cinco concorrentes
associados a empresas e, portanto, mais próximos do mercado. O Sports Technology Awards destaca inovações de grandes marcas esportivas do mundo. A proposta
amazonense já havia vencido, em 2015, o prêmio nacional
Santander Universidades.
Graduada em Tecnologia em Processamento de Dados pelo Instituto de Tecnologia da Amazônia, em 2003, Ana Carolina possui mestrado e doutorado em Engenharia
Elétrica pela UFCG, com experiência em engenharia de software e fabricação de produtos de tecnologia assistiva.
Fonte: Portal Brasil, com informações do
MCTIC
Mais de 800 alunos com deficiência auditiva estão sem intérpretes na rede municipal
Intérpretes de libra não recebem desde janeiro. Pais estão preocupados com o comprometimento do aprendizado de seus filhos.
Por Bom Dia Rio
Mais de 800 alunos com deficiência auditiva estão sem acompanhamento de intérpretes de libras nas escolas municipais do Rio. Com isso, o aprendizado desses
alunos fica prejudicado. Atualmente, ao todo a rede tem 152 intérpretes e 75 instrutores que estão sem receber salário desde janeiro. Alguns estão indo
trabalhar voluntariamente, mas outros não têm condições.
Cristiane Souza, mãe da Larissa, que tem deficiência auditiva, diz que está muito preocupada, porque o a filha tem uma surdez profunda e pode ser ainda
mais prejudicada no ensino.
“Semana passada teve provas no colégio e ela não conseguiu fazer as provas. Ela precisa da ajuda da professora da sala de recursos para que conseguisse
fazer a prova. E tem outras crianças iguais a ela que estão sofrendo também. Isso é lei, é preciso ter intérprete dentro da sala de aula porque sem ele,
ela não consegue se comunicar com professor”, disse a mãe que espera que esses profissionais recebam para voltar a trabalhar.
A Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer informa que o contrato com a firma que contrata os intérpretes de libras está em fase de renovação.
E, tão logo sejam concluídos os trâmites administrativos, os pagamentos serão regularizados. Mas não deu um prazo para quando o problema será resolvido.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Projeto regulamenta a profissão de produtor de textos em braille
A proposta define que a produção de textos para fins culturais, educacionais e comerciais deverá ter a participação obrigatória do transcritor e revisor
de textos em braile. Também estabelece a formação obrigatória para a profissão: ter completado ao menos o ensino médio e possuir certificado de habilitação
expedido por órgãos oficiais ou reconhecidos pelo Ministério da Educação; ou ter exercido a profissão de transcritor ou revisor por, pelo menos, três anos
antes da promulgação da lei, desde que aprovado em prova oficial de certificação. O autor do projeto, senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, conta
que ao elaborar o Estatuto da Pessoa com Deficiência e trabalhar com profissionais em braile, viu a qualidade e a habilidade desses profissionais. Isso
o motivou a elaborar o projeto para valorizar a profissão, já que ainda não há regulamentação.
(Paulo Paim) A questão de revisor de toda produção em braile merece uma atenção especial e merece um estudo especial. Então esses profissionais se prepararam
ao longo de suas vidas para atender as pessoas que são deficientes visuais e eles têm feito um trabalho magnífico. Por isso que achei mais do que justo
entrar com um projeto para garantir de forma oficial que a profissão deles fosse valorizada com a regulamentação da profissão.
O projeto ainda determina que a carga horária diária do transcritor e do revisor de textos em braile seja de seis horas diárias e de 30 horas semanais,
com intervalo de repouso de 10 minutos a cada 2 horas de trabalho. E cita que o empregador deve garantir a estrutura necessária para os profissionais,
como acesso à internet, às normas técnicas e a dicionários e outras obras necessárias. O projeto será analisado em decisão terminativa pela Comissão de
Assuntos Sociais, e se aprovado segue para a Câmara dos Deputados.
Fonte: site da Rádio Senado por Paula Groba com foto de Jefferson Rudy/Agência Senado.
Biblioteca Pública do Paraná lança Cartilha para pessoas com deficiência visual
No dia 4 de maio, a Biblioteca Pública do Paraná promove o lançamento da Cartilha Informativa na Área de Deficiência Visual. Elaborado pelo Instituto Paranaense
de Cegos (IPC) em parceria com a seção Braille da BPP, o material traz orientações de convivência com pessoas com deficiência visual. O evento tem início
às 14h e acontece no auditório da Biblioteca.
Na ocasião, o diretor do Instituto Paraense de Cegos, Enio Rodrigues da Rosa, faz palestra sobre a realidade do atendimento educacional especializado em
Curitiba. As inscrições para a palestra e lançamento são gratuitas, mas devem ser realizadas previamente pelo e-mail
inscricaobraille@bpp.pr.gov.br
ou
pelo telefone (41) 3221-4985.
Lançamento da Cartilha Informativa na Área de Deficiência Visual
Quando: quinta-feira, 4/5, às 14h
Onde: Auditório da BPP
Endereço: Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba – PR
tel.: (41) 3221-4985.
Saiba mais sobre o trabalho, acesso
o site do Governo do Estado Site externo
e o
Facebook Site externo
Fonte:
Agência de Notícias Site externo
Faculdade de medicina torna curso de Libras obrigatório
Imagine-se com uma dor no estômago que vai e volta há três dias. Você resolve, então, ir ao médico, algo simples se ouve e fala bem, porque vai conseguir
explicar todas as características do incômodo para o profissional. No entanto, é gigante a dificuldade de um surdo diante de um médico que não conhece
a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Foi pensando nesse público de ao menos nove mil pessoas na região que a Faceres resolveu implementar a Libras como
disciplina obrigatória no curso de medicina.
Em 40 horas, estudantes do sétimo período da graduação aprendem a se comunicar por meio de sinais e as aulas são específicas para o atendimento ao paciente.
“O diferencial é o atendimento direto”, diz o professor Thiago Vechiato Vasques, pedagogo pós-graduado em Educação e Interpretação de Libras. “Geralmente
as pessoas surdas não conseguem ter um atendimento satisfatório. O objetivo é que eles consigam atender de maneira correta”, afirma.
Thiago diz que é difícil o médico saber o que precisa sem se comunicar em Libras com um surdo. Por exemplo: onde é a dor, há quanto tempo os sintomas ocorrem,
como apareceram, entre outros questionamentos. Dificuldades que a professora convidada Jacqueline Fontes, 31 anos, conhece bem. Surda, ela auxilia no ensino
da disciplina. “Sempre sofro porque nunca entendo o que o médico diz. Psicólogo é pior. Se vou ao ginecologista, preciso chamar levar minha mãe, porque
não tem ninguém que saiba conversar com a gente.”
É importante que os alunos aprendam com uma pessoa surda porque são necessários mais do que sinais para que a comunicação aconteça. “As expressões faciais
mudam o sentido da frase.” Jacqueline aponta outro problema: o sigilo. “Eu fico com vergonha, falta um pouco de ética. Sempre precisa de um mediador. Um
exemplo é se a pessoa tem Aids ou câncer. Às vezes a pessoa da família que está interpretando precisa conversar com o médico, é uma situação incômoda.”
A estudante Ana Christina Juvêncio Honoratto, 23, acredita que aprender a língua de sinais vai facilitar seu trabalho quando formada. “Eu acho que deveria
ser introduzido bem no início do curso.” Seu colega, Victor Hugo Manzano, 22 a, diz que o curso ensina desde o básico até frases envolvendo os diagnósticos.
“Que a gente vai usar no dia a dia.” Para Anna Luisa Ramos, 20, faz diferença aprender com uma pessoa surda. “Até para dar uma notícia. É preciso expressão
facial adequada para mostrar empatia ao paciente.”
Lei regulamenta oferta de curso
Decreto presidencial de 2005 institui a linguagem como obrigatória em cursos de formação de professores e de fonoaudiólogos. Nas demais graduações profissionais,
a disciplina é optativa. “Tornamos obrigatório na matriz curricular porque não dá mais para ignorar a quantidade de pessoas nesta condição. Quase a totalidade
dos médicos não tem essa formação. Eles (surdos) são excluídos”, considera o mantenedor da Faceres, Toufic Anbar Neto.
No curso de medicina da Unilago, a disciplina é optativa de 40 horas. Tem particularidades voltadas à carreira médica para capacitar os alunos a atender
melhor os pacientes. A Famerp oferece o curso como atividades de extensão. Eles também são organizados pelos Centros Acadêmicos de Medicina, Psicologia
e Enfermagem – que realizaram o último curso, encerrado nesta semana.
Fonte: site Diário da Região de São José do Rio Preto por Millena Grigoleti (com adaptações). Foto: Mara Sousa.
Assinar:
Postagens (Atom)