terça-feira, 4 de outubro de 2016
Oito equipes de futebol de 5 competem na Copa Loterias CAIXA Série B
Por CPB
Wander Roberto/Inovafoto/CBDV
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Equipes competindo na Copa CAIXA Loterias de Futebol de 5 de 2015, em Campo Grande (MS).
Após o sucesso do futebol de 5 brasileiro nos Jogos Paralímpicos, a modalidade volta a entrar em cena no país com a disputa da Copa Loterias CAIXA – Série
B da modalidade. A competição ocorrerá de 5 a 9 de outubro, em Porto Alegre (RS), no ginásio Tesourinha. Serão oito equipes disputando duas vagas que garantem
acesso à elite nacional, além do troféu de campeão.
O evento contará com a participação dos seguintes estados: Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul, além do Distrito
Federal. As equipes conquistaram a vaga na Série B deste ano após a disputa das etapas regionais que foram disputadas no primeiro semestre.
Representante da casa, a ACERGS-RS, surge como uma das forças da competição, após conquistar o terceiro lugar do Regional Sul. Outra equipe que vem de
um ótimo resultado é a UNIACE-DF. Os candangos foram vice-campeões da etapa Centro-Norte e prometem brigar por uma das vagas na Série A do ano que vem.
Os outros participantes são: ADVIMS-MS, CEDEMAC-MA, CESEC-SP, ESCEMA-MA, ISMAC-MS e UNICEP-ES.
Fórmula de disputa
O campeonato será disputado em fases de grupos e eliminatórias. Na primeira fase da competição, as oito equipes serão divididas em dois grupos. As duas
melhores de cada chave avançam para as semifinais, onde ocorre o cruzamento entre primeiro e segundo colocados.
Os vencedores da fase eliminatória fazem a final da competição e, consequentemente, garantem vaga para a Série A de 2017. Os perdedores das semifinais
disputam o bronze da competição. Além do troféu e medalha para as três primeiras colocadas, haverá premiação para o artilheiro e melhor goleiro da competição.
O sorteio dos grupos será feito na próxima terça-feira, 4, durante Congresso Técnico, um dia antes do início das partidas. Confira a tabela completa aqui
(link).
Serviço
Copa Loterias CAIXA de Futebol de 5 – Série B
Data: 05 a 09 de outubro de 2016
Horários: 08h30, 10h, 14h30 e 16h (05, 06 e 07/10); 08h30 e 10h (08 e 09/10)
Local: Ginásio Tesourinha
Endereço: Avenida Erico Veríssimo, S/N – Menino Deus – Porto Alegre/RS
Entrada franca
Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).
Assessoria de imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (
imp@cpb.org.br)
Cadastro Único de Nascimento de Pessoas com Deficiência pode se tornar lei
Tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o Projeto de Lei nº 371/2016, de autoria do deputado estadual Ondanir Bortolini (PSD), o Nininho,
com a finalidade de criar o Cadastro Único de Nascimento de Pessoas com Deficiência. Este cadastro tem como objetivo facilitar o estudo e a aplicação de
políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência.
nininho-deputado-estadual-28-09-16
Deputado Nininho é o autor do projeto
Para o autor do projeto, este cadastro será um passo importante para o estado, e também, uma forma de proporcionar às pessoas com deficiência maior qualidade
de vida com igualdade de condições com as demais pessoas. “Este cadastro do recém nascido diagnosticado com deficiência irá direcionar melhor a elaboração
de políticas públicas voltadas para eles. Tendo o controle real do número dessas crianças, o governo poderá desenvolver melhor os projetos de inclusão”,
explicou Nininho.
No âmbito nacional, existe a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoa com Deficiência (LBI), Lei nº 13.146/2015, que fomenta a realização de diversas políticas
públicas que atendem os deficientes, da criança ao adulto. Todo o trabalho desenvolvido por meio dessas políticas é feito por uma equipe multidisciplinar,
por exemplo, na área da educação a lei criou uma didática específica para cada deficiência.
A médica especialista em Neonatologia e UTI Pediátrica de Rondonópolis, Vanessa Siano destaca que, o Projeto de Lei é uma iniciativa importante, principalmente
no que diz respeito ao melhor atendimento e acompanhamento desde o nascimento das pessoas com deficiência. “Esse cadastro facilitará o tratamento como,
por exemplo, as terapias para desenvolver a capacidade desses pequenos, o suporte para toda a família e os cuidados multidisciplinares”, concluiu a pediatra.
DADOS – De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência entre as quatro
consideradas pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) – auditiva, visual, física e intelectual. Atualmente, o índice nacional corresponde a 12,8 milhões de
brasileiros, enquanto em Mato Grosso são 205,3 mil.
Fonte:
www.atribunamt.com.br
Unicamp cria colírio que evita perda de visão por diabéticos
Um grupo de pesquisadores das faculdades de Ciências Médicas (FCM) e de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um
colírio para a prevenção e combate da degeneração gradativa que ocorre com frequência nos olhos das pessoas com diabetes, a chamada retinopatia diabética.
"A grande vantagem desse achado é o fato de não ser invasivo. Por ser tópico não implica em riscos e cria uma barreira contra as alterações neurodegenerativas
que afeta os diabéticos", explicou a pesquisadora da FCM Jacqueline Mendonça Lopes de Faria.
início do grupo Colírio é resultado de uma pesquisa que já dura 20 anos Foto: Getty Images
Colírio é resultado de uma pesquisa que já dura 20 anos
Colírio é resultado de uma pesquisa que já dura 20 anos
Foto: Getty Images
fim do grupo
A cientista disse que a descoberta foi feita a partir de uma pesquisa que já dura cerca de duas décadas. "É consequência de um estudo de 20 anos para entender
o mecanismo de ataque das células nervosas e de irrigação sanguínea no tecido ocular."
De acordo com a pesquisadora, por causa da hiperglicemia - excesso de açúcar no sangue no organismo dos diabéticos - vários órgãos podem ser comprometidos.
Em cerca de 40% dos casos, a doença leva a complicações na retina provocadas pelo efeito tóxico da glicose. O sistema nervoso e vascular da retina passam
a ter alterações progressivas que podem levar a cegueira. "Isso ocorre, muitas vezes, justamente no momento em que a pessoa está em idade ativa."
Atualmente, o tratamento da retinopatia diabética é feito com opções invasivas, como a fotocoagulação com laser, injeções intravítrea ou mesmo cirurgia.
A expectativa dos pesquisadores da Unicamp é que, além de servir para a cura da retinopatia diabética, a descoberta dessa tecnologia possa ser benéfica
também no tratamento de outras anomalias da visão, como o glaucoma.
Eficácia
Testes em laboratórios da Unicamp comprovaram a eficácia da fórmula. No entanto, antes de ser transformado em medicamento para a distribuição e comercialização,
o colírio tem de ser submetido à fase clínica de tetes, com os ensaios em seres humanos. Ainda não há previsão de quando isso vai ocorrer porque os testes
dependem do interesse de empresas em fazer o licenciamento da tecnologia junto com a agência de inovação da universidade, a Inova Unicamp.
No teste com os roedores, não foram observados efeitos adversos e o colírio mostrou-se eficaz na proteção do sistema nervoso da retina.
Também participam da pesquisa a professora Maria Helena Andrade Santana; a pesquisadora Mariana Aparecida Brunini Rosales e a aluna de mestrado Aline Borelli
Alonso. Os estudos receberam financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério de Educação.
Agência Brasil
Agência Brasil
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Cinemas devem oferecer condições para cegos e surdos
A Agência Nacional de Cinema (ANCINE) anunciou, no dia 17/9, a instrução normativa que obriga as salas comercias de cinema do país a oferecer, num prazo
de dois anos, condições para que pessoas com deficiência visual e auditiva possam ver um filme na mesma sessão de outros espectadores.
O temor de parcela dos empresários sobre o custo dessa adequação é irreal, de acordo com Lívia, professora doutora em Linguística Avançada que realiza
eventos culturais com audiodescrição. “(O custo) será muito pequeno se consideramos o tamanho desse público”, enfatiza, ao destacar que 25% da população
brasileira têm algum tipo de deficiência.
“O público é enorme, se considerarmos que, além de pessoas com deficiência visual e auditiva, há ainda aqueles com deficiência intelectual e idosos, que
também irão se beneficiar dos recursos”, registra Lívia, que ajudou a implantar o primeiro curso de especialização em audiodescrição do Brasil, na Universidade
Federal de Juiz de Fora.
Para Lívia, a questão da acessibilidade “não tem mais volta”, comemorando a importante vitória conquistada com a publicação da instrução normativa 128/2016.
“Os produtores que já realizaram eventos para esse público sabem de seu potencial e sempre querem repetir a experiência”, afirma a professora, que recentemente
fez o trabalho de audiodescrição para o DVD do filme “Meu Amigo Hindu”.
Inclusão
A vitória, endossa Lívia, é sobre um sistema que impedia, por exemplo, pessoas a assistirem a um filme que acabou de ser lançado nas telonas. “A gente
sabe como a arte pode ser transformadora e inspiradora. Era muito triste ver uma pessoa morta de vontade de ver um filme aguardado e não poder ir, excluído
de um produto que tanto quer ir”.
Quando promove seus eventos culturais, a produtora, que é mineira de Itajubá, gosta de ficar num canto escuro da sala, observando as reações da plateia.
“Elas são iguais aos outros, com risadas, lágrimas, surpresa e espanto. É muito emocionante e nos faz pensar quantos detalhes deixam de apreender por falta
de recursos de acessibilidade”, descreve.
Em 14 meses, metade das salas de cada grupo exibidor deverá oferecer recursos de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira
de Sinais
A grande dúvida sobre a adequação das salas de cinema para abrigar recursos de acessibilidade, como legendagem descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira
de Sinais (Libras), é a tecnologia que será usada. Uma câmara técnica está sendo montada pela Ancine para definir o padrão.
“A medida é muito bem-vinda, porque, além de inclusiva, ela representa a possibilidade de agregar novos consumidores ao mercado. Mas também é complexa,
exigindo um pacto entre produtores, distribuidores e exibidores”, afirma Adhemar Oliveira, proprietário da sala Belas Artes.
Aplicativo
Em vários países, o recurso mais utilizado é um aplicativo que o espectador baixa em seu celular, que, sincronizado com a projeção, apresenta os vários
recursos. No caso de surdos, há ainda a possibilidade de uso de um óculos especial, em que o sistema de Libras é mostrado num canto da lente.
Adhemar, que tem uma rede de cinemas no país, deixa um ponto de interrogação em relação aos filmes de arte, distribuídos por empresas pequenas e que têm
menor retorno financeiro. “O custo pode ficar pesado para eles, por isso a câmara técnica deve pensar em soluções que custem menos”.
Ele salienta que esse tipo de custo é diluído na quantidade de cópias. “Se um filme é lançado em mil posições (salas), um valor hipotético de R$ 15 mil
não é nada. Mas se lançado em apenas seis posições, é muita coisa. Se é uma medida inclusiva, ela não pode excluir o pequeno distribuidor”, pondera.
Lívia Motta registra que há um número considerável de profissionais para atender a demanda. “Um profissional preparado traduz a imagem em palavra, sem
filtragens, diferentemente de uma pessoa que fica ao seu lado contando o que está acontecendo, filtrando a percepção”, compara a especialista.
Fonte:
Hoje em Dia Site externo
Cinemas devem oferecer condições para cegos e surdos
Diogo Amaral promete surpreender na pele de um cego
Ator há vários anos, Diogo Amaral teve em ‘A Impostora’ “um dos maiores desafios” que a TVI lhe lançou desde que abraçou a representação.
Na pele de ‘Gustavo Martins’, “um fotojornalista de guerra apaixonado pela profissão”, o namorado de Vera Kolodzig superou-se num registo diferente dos
galãs a que habituou o público.
Entusiasmado com o feedback que tem recebido desde que a novela foi para o ar, Diogo mostra-se orgulhoso do trabalho que foi feito por toda a equipa: “Sei
que temos um bom produto”.
Diogo Amaral
Mas a história de ‘Gustavo’ vai muito além dos cenários de conflito. Em breve a personagem sofrerá um acidente que o deixará cego, uma condição que levou
o ator a estudar a vida de um invisual. “Fiz tudo o que se pode imaginar. Trabalhar uma cegueira é muito difícil mas ao mesmo tempo foi muito prazeroso”,
explica.
Curioso com o que irá para o ar, Diogo sublinha que o maior desafio se prendeu com o facto de que “fazer de cego é estar constantemente a mentir”. Ainda
assim, conclui que integrar este projeto o fez “ver várias coisas de maneiras diferentes”.
Por força do seu personagem, Diogo Amaral presta agora uma atenção redobrada àquilo que se vive atualmente em várias zonas do globo: “Este papel fez-me
olhar com outros olhos para o que está a acontecer neste momento. Na verdade, estamos num sítio muito bom”.
Sem projetos no imediato, o ator dedica-se à família, em particular ao filho, Mateus, que irá completar dois anos no próximo dia 25 de setembro. “Vou mimá-lo
muito”, conclui orgulhoso do seu rebento.
Fonte:
http://www.movenoticias.com/2016/09/diogo-amaral-promete-surpreender-na-...
Brasil: Turismo Industrial para Deficientes visuais em São Bernardo
Por meio de cheiros, sons e tato, a Zurich recebeu grupo de 12 pessoas com diferentes níveis de cegueira como parte do programa de Visita Monitorada Inclusiva
de Turismo Industrial de SBC
Oferecer uma oportunidade para que deficientes visuais usem o olfato, o tato e a audição para conhecer um ambiente normalmente interditado a curiosos e
interessados. Esse é um dos princípios do programa de Visita Monitorada Inclusiva de Turismo Industrial de São Bernardo, que aconteceu pela primeira vez
na semana passada, quando a empresa Zurich Termoplástico recebeu grupo de 12 pessoas com diferentes níveis de cegueira. A iniciativa é resultado de parceria
entre a Prefeitura, a ONG Adote um Cidadão e a empresa.
Para a visita dos deficientes visuais foi preparado um tour pelas instalações da fábrica que privilegiou e explorou outros sentidos que não a visão. Os
participantes puderam, por exemplo, cheirar diferentes tipos de materiais plásticos queimados, sentir com as mãos peças recém fabricadas e ainda quentes
(botão de fogão, ponteira de cadeira e peças de carros) e ouvir os barulhos das máquinas em funcionamento.
A Zurich foi uma das primeiras empresas a aderir ao programa de turismo industrial criado pela Prefeitura de São Bernardo e já recebeu a visita de grupos
de pessoas de todo o País. Eduardo Meneguello, diretor comercial do grupo, falou que esse tipo de ação inclusiva oferece aos visitantes uma experiência
única. “Sou privilegiado por participar desta iniciativa do programa de turismo industrial da Prefeitura de São Bernardo. O que fez essa visita possível
foi um conjunto de ações e parcerias entre o poder público e a iniciativa privada”, disse.
Com apenas 10% da visão, Irene Vieira do Santos, 53 anos, falou sobre a visita monitorada. “Agradeço a Deus por essa oportunidade de realizar essa atividade.
Ainda tenho muitas coisas para conhecer na vida. Já fui babá, doméstica, toco violão, faço atividades físicas, mas nunca tinha me imaginado em uma fábrica.
É muito diferente e interessante sentir o cheiro do plástico queimando, as peças quentes saírem da máquina e ouvir o barulho de dentro de uma indústria.”
Idealizador e coordenador da ONG Adote um Cidadão, Antonio Carlos Veiga explica que esse tipo de ação pode ajudar também na gestão das empresas. “Não é
falta de oportunidade de emprego, é a falta de qualificação dos deficientes. A ONG existe há 17 anos e, quando começamos, as empresas ainda não sabiam
como lidar com a inclusão social. Hoje já estão mais adaptadas e dispostas a contratar pessoas com deficiência.”
Sucesso pioneiro – O programa de turismo industrial de São Bernardo foi criado pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho
e Turismo, em 2013 e conta, hoje, com 12 empresas participantes, como a Scania, Omnisys, Friozem e Basf.
Já visitaram as empresas, no total, cerca de 3.950 pessoas, de toda a parte do país e de várias faixas etárias.
O sucesso da iniciativa foi tanto que o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne as cidades da região, criou o Roteiro de Turismo Industrial do ABC,
que também tem o objetivo de promover visitas monitoradas às fábricas.
Mais informações sobre o programa de turismo industrial de São Bernardo pelo site
www.turismoindustrialsbc.com.br/.
Fonte:
http://www.abcdoabc.com.br/sao-bernardo/noticia/turismo-industrial-defic...
As dificuldades para transformar Joinville em uma cidade inclusiva
Leonardo é estudante e depende do ônibus todos os dias, mas não encontra tecnologia inclusiva em Joinville
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Transitar nas ruas, usar o transporte coletivo, estudar, trabalhar, se divertir e ter acesso à informação parecem direitos básicos na vida de qualquer
cidadão, mas vivê-las pode representar um alto grau de dificuldade para as pessoas com deficiência. É por causa delas que foi criada a Lei Brasileira de
Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), em vigor desde 2 de janeiro de 2016. Ela compreende regras e orientações para promover os direitos e liberdades
dos deficientes, e estabelece punições para atitudes discriminatórias contra essa parcela da população.
Em Joinville, dos 515.288 habitantes identificados no Censo de 2010 do IBGE, 23,9% tinham algum tipo de deficiência. São pessoas com diferentes tipos de
limitação que ganharam um instrumento de emancipação civil e social.
– Já existiam muitas leis que falavam sobre acessibilidade e inclusão, às vezes em forma de decreto, mas a LBI consolidou os nossos direitos. Agora, os
governantes podem ser processados por improbidade administrativa se não respeitá-los, por exemplo – afirma o presidente da Associação Joinvilense para
Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi), Paulo Sérgio Suldóvski, que participou de conferências durante a confecção do Estatuto.
Quase dez meses após a lei entrar em vigor, é fácil afirmar que Joinville ainda precisa evoluir em vários aspectos na transformação da cidade em um lugar
plenamente acessível. Além das dificuldades de mobilidade urbana, há entraves que só a sociedade pode resolver, ao desenvolver o senso de inclusão e compreender
as diferenças para evitar a discriminação e promover a igualdade no tratamento das pessoas com deficiência. É uma tarefa que as novas gerações começam
a aprender na escola, a evolução será gradativa.
Adaptar Joinville para que ela se torne uma cidade acessível e inclusiva significa, de certa forma, reconstruir uma cidade que não foi pensada para atender
às necessidades das pessoas com deficiência. Essa é a mesma realidade de todas as cidades do mundo, afirma o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento
Urbano de Joinville (Ippuj), Vladimir Constante, e que começou a ser modificada há pouco tempo.
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Segundo ele, todas as obras públicas construídas nos últimos anos foram projetadas para serem acessíveis – bons exemplos são o Parque da Cidade e o Mirante.
No entanto, até o prédio da Prefeitura, que é relativamente recente (é de 1996), precisou passar por reformas para atender aos critérios de acessibilidade.
Entre as obras privadas, a dificuldade é a conscientização sobre a importância de elementos como piso tátil e meio-fio rebaixado com rampa de acesso para
cadeirante.
Sem barreiras para transitar
É com bom humor que o estudante de direito Leonardo Apolinário Inácio, 25 anos, vence as dificuldades que atividades comuns do dia a dia representam para
que ele possa viver com autonomia. Afinal, para quem não enxerga e utiliza a audição como base para saber se o ônibus está chegando no ponto, acenar vez
ou outra para o caminhão de lixo é um equívoco que pode ocorrer.
– Quando alguém me avisa que cometi esse erro eu brinco: “Ah, vai que ele está indo na mesma direção que eu” – conta.
A rotina de Leonardo é semelhante a da maioria dos universitários: sai de casa de manhã e só retorna à noite. Entre os dois momentos, estão o trabalho
como assessor institucional da Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi) e na ouvidoria do Hospital São José, e as aulas
da faculdade de Direito na Faculdade Cenecista de Joinville (FCJ) – onde é o primeiro aluno cego matriculado. Ele depende do ônibus ao menos duas vezes
por dia.
– Ele é o meu único meio de transporte e, para quem é cego, é muito utilizado, porque é necessário mesmo em espaços curtos, por segurança e porque é mais
rápido – diz.
Ainda que, em Joinville, a frota seja 85% adaptada para pessoas com deficiência, com piso rebaixado e elevador hidráulico, os cegos não se sentem contemplados:
ela atende a pessoas com mobilidade reduzida, mas não possui recursos para deficientes visuais. Por isso, para saber onde desembarcar em um trajeto que
não faz parte da rotina, os usuários dependem da boa vontade de outros passageiros ou do motorista. O mesmo acontece na hora de embarcar: nos pontos e
terminais, não há indicações acessíveis sobre as linhas, nem mesmo piso tátil nos terminais.
– Você precisa criar as próprias alternativas – lamenta Leonardo.
Há dois anos, a Ajidevi visitou São Carlos e Jaú, em São Paulo, com membros das empresas de transporte coletivo de Joinville, para conhecer as ferramentas
que os municípios haviam incorporado para atender a estas demandas. Mas elas são tecnologias caras e teriam que ser bancadas pela Prefeitura de Joinville
para funcionarem na cidade.
– Agora, em Joinville, temos o
Moovit, lançado na semana passada,
que é uma opção de acessibilidade. Ele é um aplicativo para o celular que pode ser usado com o leitor de tela pelo cego – afirma o presidente do Conselho
Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcus Faust.
O software, criado pela equipe de TI do sistema de transporte coletivo com apoio do Ippuj e da Seinfra, permite visualizar os pontos de parada no mapa,
consultar horários de viagens, itinerários e planejar deslocamentos com integrações entre linhas. Ele só funciona com internet e pode ser difícil para
usuários que não são acostumados a aplicativos, como os idosos.
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Inclusão no mercado de trabalho
Durante anos, o marceneiro Antônio Mauro de Mello, 61 anos, passou pela rua José Elias Giuliari, no bairro Boa Vista, em Joinville, para jogar futebol
no ginásio de esportes localizado no fim da rua. Nunca lançou o olhar à entidade filantrópica que ficava na calçada oposta até que, em 2009, um Acidente
Vascular Cerebral (AVC) fez com que ele perdesse os movimentos no lado esquerdo do corpo – e, consequentemente, também a liberdade para ir aonde quisesse
e para pequenos prazeres, como trabalhar com madeira e jogar futebol.
– Fiquei 70 e poucos dias internado e, quando saí do Hospital São José, pensei: “Meu Deus, minha vida acabou” – recorda ele.
Os primeiros anos após o AVC foram na cadeira de rodas, até que ele conseguisse se apoiar em uma bengala para voltar a caminhar. Quando isso aconteceu,
era hora de voltar também ao mercado de trabalho, mas as atividades de marcenaria já não eram mais uma opção. O jeito foi mudar o foco e até desenvolver
uma desinibição que ele não possuía: de marceneiro tímido, ele virou porteiro de instituição de ensino, função desempenhada por quatro anos. Em 2016, ao
ficar desempregado, levou apenas três meses para conseguir uma nova colocação, agora na entrada dos terminais urbanos.
— Eu até pude escolher entre três ofertas de emprego, e decidi por uma na qual eu possa crescer, ganhar uma promoção — afirma Antônio.
Segundo o capítulo 6 da LBI, a pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade
de oportunidades com as demais pessoas, e isso inclui a participação e o acesso a benefícios como treinamentos, planos de carreira e promoções. Mas, ainda
que a contratação de pessoas com deficiência seja garantida por lei desde 1991, há empresas que não compreendem o significado da inclusão.
– Já perdi vaga porque perguntei qual era a possibilidade de promoção, e não entenderam. Então expliquei que a pessoa contratada para aquela função antes
de mim saiu em depressão, porque deram a ela uma mesa no canto e não passavam nenhum trabalho. Estava ali só para cumprir a cota, e não é o que eu queria
– avalia ele.
Antônio conseguiu emprego por meio do trabalho feito pela Associação dos Deficientes Físicos de Joinville (Adej), a mesma entidade que ele nem notava antes
de tornar-se uma pessoa com deficiência. Ele é feito pela assistente social Alessandra Sartori Silva, que cadastra os interessados em trabalhar e cruza
as informações com as vagas enviadas pelas empresas. Só nas últimas seis semanas, pelo menos sete associados foram integrados ao mercado de trabalho por
meio destas indicações.
– Alguns recebem aposentadoria por invalidez e ela é cancelada se a pessoa começa a trabalhar. Mas perdê-la não é o problema para eles, porque o que interessa
é a autoestima, é a sensação de ser útil para a sociedade – conta Alessandra.
O mesmo não acontece, no entanto, com as tentativas da Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi) de colaborar na contratação
de seus associados. Segundo o presidente, Paulo Sérgio Suldóvski, é comum ser procurado por empresas que querem muita qualificação profissional, por vezes
difícil de ser alcançada até por pessoas sem deficiência.
– Eles pedem a nossa assinatura em documentos para provar que tentaram contratar alguém, mas nunca chamam para as vagas que alegaram possuir – afirma Paulo.
fonte:diario catarinense
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