terça-feira, 23 de junho de 2015
É fantástico: nós enxergamos com o cérebro, não com os olhos
Erik Weihenmayer: alpinista volta a "enxergar", após 30 anos
Três semanas depois da concepção é quando o cérebro nasce, com 100 bilhões de células repletas de conexões que se formam a cada estímulo, desde muito cedo.
Como as imagens intrigantes de um mundo novo, completamente desconhecido. A porta de entrada dessas imagens é o buraco negro que se vê no centro do olho,
a nossa lente natural - o cristalino, por onde passam os raios luminosos.
A luz atinge o fundo do olho, a retina. Nela, existe uma floresta formada por 125 milhões de células sensíveis à luz. Cada uma delas capta um pedacinho
do que estamos vendo e envia essa informação para o cérebro. É ele que vai juntar os fragmentos e montar a imagem completa.
E isso começa ainda no útero materno, pois, com a claridade que atravessava o corpo da mãe, o bebê já fazia os primeiros treinos para enxergar, só que
via tudo em preto e branco. É só depois do nascimento que surgem células com a missão específica de detectar as cores. Elas vão se agrupar numa área da
retina que adquire a forma de um vulcão: a mácula. Nesta área, que só fica pronta aos 4 anos de idade, é que a visão atinge o máximo de nitidez e de flexibilidade.
Por isso, desde pequenos, as crianças do povo mokaen, também conhecidos como os ciganos do mar, que vivem na Ilha de Kossurím, no sudeste da Ásia, aprendem
uma habilidade incomum: enxergar debaixo d’água.
O normal é que a visão fique embaçada, já que a claridade nesse ambiente é menor. Assim, a reação natural do olho é dilatar as pupilas pra aumentar a captação
de luz. Com as pupilas dilatadas, fica mais difícil focalizar as imagens. Mas com os ciganos do mar ocorre justamente o contrário - eles aprenderam a contrair
a pupila ainda mais e enxergam o fundo do mar com duas vezes mais nitidez do que qualquer outra pessoa.
Estudos recentes mostram que qualquer criança com treinamento seria capaz de aprender o que as crianças mokaens fazem, pois é justamente nos primeiros
anos de vida que o cérebro está mais aberto a transformações.
Antigamente se pensava que o cérebro atingia a maturidade completa aos 20 anos. Hoje, sabe-se que ele está sempre pronto a aprender coisas novas até o
fim da vida.
Como exemplifica o caso de Erik Weihenmayer, que ficou cego aos 13 anos. Aos 43, ou seja, após 30 anos na mais completa escuridão, Erik voltou a enxergar.
Mas com a língua. E fez um teste escalando um penhasco no deserto de Moab, nos Estados Unidos.
Para isso, ele utilizou um óculos de sol especial, equipado com uma câmera, cuja função é enviar as imagens para um minicomputador preso na cintura de
Erik. O equipamento então simplifica o cenário captado pelos óculos, preservando o relevo e os contornos.
As imagens são transmitidas para uma das partes mais sensíveis do corpo – a língua, onde sensores elétricos minúsculos descarregam os sinais captados pela
câmera. Erik sente pontinhos que juntos formam linhas e contornos. O cérebro recebe essas sensações e com elas, monta uma imagem rudimentar.
Ou seja, nós enxergamos com o cérebro, não com os olhos.
(Fonte: The Human Body – BBC)
A paradoxal relação dos cegos com a maior cidade do Brasil
Abreu, no Viaduto do Chá, e o cão-guia Jackie: “Com ela e um iPhone, não há lugar aonde eu não chegue” (Foto: Fernando Moraes)
São Paulo
é o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul. Ela não só é a cidade mais populosa do Brasil, como também do continente americano
e de todo o hemisfério sul.
Desvendar a alma de uma cidade assim, ainda mais se você não pode vê-la, é um exercício de abstração. A partir do desenho das calçadas, do som dos carros
reverberando no concreto, do tom de voz dos moradores, do sol (ou da falta dele) na pele, do cheiro — de lixo, de gente, de mato e, aqui, de forma proeminente,
de fumaça — e da opinião de quem enxerga, aprendemos a criar uma relação individual e única com o lugar em que moramos. É assim que cerca de 53 000 habitantes
cegos (0,44% da população, fora os 292 000 com “grande dificuldade” de enxergar, segundo o Censo de 2010) lidam com a capital todos os dias: vivenciando-a
com os demais sentidos. Quando a revista Veja São Paulo convidou o repórter Lucas de Abreu Maia para falar sobre a metrópole vista por quem não pode descrevê-la
com os olhos, ele aceitou mesmo sabendo que suas histórias não seriam suficientes. E foi conversar com outros deficientes visuais, que relataram cenas
de independência e diversão, de irritação e perigo.
Lucas descobriu personagens como um mecânico de automóveis que tem precisão invejável no manejo das peças e uma jovem fashionista ligadíssima na aparência,
que vasculha shoppings em busca de roupas descoladas.
Abaixo, o incrível relato que ele publicou na Veja São Paulo, com a colaboração de Alessandra Freitas:
Tenho 29 anos, nasci em Vitória, no Espírito Santo, mas cresci no interior do Rio. Na infância, São Paulo significava para mim vir a consultas regulares
ao oftalmologista com o objetivo de acompanhar a evolução da minha doença. Aos 7 meses, um profissional daqui fez o diagnóstico: eu nascera com amaurose
de Leber, um problema genético encontrado em um em cada 80 000 nascidos vivos. As células da retina das pessoas que possuem a doença param de se reproduzir
e, com isso, o mundo ao redor vai ficando mais escuro. Aos 8 anos, as visitas à capital tornaram-se desnecessárias. Os cerca de 10% de visão que eu tinha
esvaíram-se sem que eu sequer notasse.
As memórias gráficas que me acompanham são poucas e pitorescas: meu reflexo no espelho, com o cabelo liso parecendo o de um índio com corte de cuia; uma
foto da apresentadora Xuxa usando boina; a atriz Claudia Ohana na capa da fita cassete da trilha sonora da novela Vamp. Graduado em jornalismo aos 23 anos,
pela PUC-RJ, eu me mudei para cá a fim de fazer um curso no jornal O Estado de S. Paulo, no qual me empreguei como repórter de política há seis anos. No
fim de 2014, ingressei na revista EXAME, da Editora Abril, mas acabo de deixar o cargo para cursar doutorado na Universidade da Califórnia — já havia feito
mestrado em Chicago. Escrevo este texto com a ajuda de um programa que lê, em áudio, tudo o que digitei.
A relação entre os cegos e São Paulo é bem paradoxal. Existem locais como o
Museu do Futebol,
com profusão de recursos táteis (incluindo o rosto de Pelé), mas há poucas peças teatrais com audiodescrição. Pelas ruas, raramente um município muda tão
súbita e completamente de um bairro para outro. Na Avenida Paulista, o passeio é largo, com piso tátil bem cuidado. A dois quarteirões, porém, começam
as ladeiras dos Jardins e suas dezenas de degraus. Em muitos trechos da Zona Norte, por exemplo, o lixo e os buracos ocupam o espaço que deveria ser de
quem caminha. Em toda a cidade, os quarteirões tortuosos transformam os bairros em labirintos. “Mas o pior, para mim, é a qualidade das calçadas”, contou-me
Luiz Alberto de Carvalho e Silva, de 59 anos, economista. “São tão irregulares que até os cães-guia se desorientam.”
Encontrei Silva no início de maio em seu apartamento, na região da Vila Mariana. Ele é conhecido como o primeiro usuário de cão-guia no Brasil ao treinar
seu animal, por conta própria, nos anos 70. Com memória ímpar, conhece nomes de ruas dos quatro cantos. “Imagino São Paulo como se eu voasse por ela, projetando
grandes mapas na minha cabeça e percorrendo-os aos poucos.”
Andar sozinho por aqui se tornou bem mais fácil nos últimos anos com o auxílio de aplicativos de localização com orientação em áudio, como o Blind Square.
Ele informa sobre os lugares por onde o usuário passa, a exemplo de lojas, lanchonetes e estações. Há também o TapTapSee, que descreve o que você fotografa,
indicando se está diante de um cachorro, um bosque... Apesar dessas ferramentas, porém, os perigos continuam. “Há alguns anos, na Zona Leste, caí em um
bueiro que estava fechado com uma tábua”, relata o psicólogo Everton Oliveira, de 25 anos. “Uma perna inteira entrou no buraco, e me agarrei no asfalto
para não ir até o fundo.”
Com Pedro Gabriel Cruz, de 10 anos, houve um susto maior. Ele perdeu a visão aos 5, em consequência de uma meningite. Aos 7, ao entrar em um vagão na Estação
Santo Amaro da CPTM, ao lado da mãe, caiu no vão entre o trem e a plataforma. Foram momentos de desespero, temendo que o maquinista desse a partida. “Um
passageiro me ajudou a sair de lá e, no fim, só ralei a perna e ganhei alguns roxos”, lembra. O garoto faz de tudo para levar uma vida normal: adora andar
de bicicleta no Parque Villa-Lobos e cursa o 2º ano do ensino fundamental no Colégio Vicentino Padre Chico, no Ipiranga, especializado em deficientes visuais.
Do transporte público, no entanto, ficou o medo (reforçado pelo caso de um cego que morreu em abril ao cair na Estação Sé do metrô), e sua mãe tirou carta
de motorista para conduzi-lo de automóvel. “Consigo reconhecer os caminhos que faço pela mudança no balanço do carro, pelas passagens nos quebra-molas”,
diz. “E também através dos cheiros. Se farejo pastel frito, sei que estamos perto da feira.”
Há um tipo de local campeão de confusão: os shoppings. Trata-se de prédios onde fica quase impossível estabelecer pontos de referência (obviamente, para
nós, as vitrines serão sempre idênticas). Além disso, como são ambientes fechados, os sons reverberam e prejudicam nossa orientação. Fazer compras on-line
é a opção preferencial da maioria, graças aos leitores de tela em computadores e celulares (que nos permitem usar ativamente Facebook, Twitter, WhatsApp...).
Aficionada de moda, a psicóloga Maria Rita de Paiva gosta de encarar os grandes centros de varejo, mas pede ajuda a um funcionário (eu faço o mesmo quando
vou ao supermercado, solicitando que me descrevam o que há em cada prateleira enquanto passo com o carrinho).
No fim do mês passado, eu a acompanhei no Iguatemi. Chegamos para almoçar no Ritz e a medida imediata dos garçons foi nos trazer dois cardápios em braile.
Nós os dispensamos e pedimos que narrassem para nós as opções. Primeiro porque nem eu nem ela dominamos bem a linguagem. Além disso, com frequência, os
estabelecimentos não atualizam variações de preços e itens dos menus, tornando-os peças inúteis. Por vontade de Maria Rita, seguimos para a CA. Seu cão-guia,
Milo, ficava deitado aos seus pés enquanto uma vendedora lhe entregava as peças, uma a uma, para que as tocasse. Depois de apalpar e ouvir a descrição
de umas três dezenas delas, experimentou oito e comprou quatro. A moda, para ela, é uma maneira de se afirmar diante de um mundo cheio de expectativas
preconcebidas sobre uma mulher cega. “As pessoas se surpreendem por eu me vestir bem”, diz.
Pedro de Carvalho e Silva, de 54 anos, também costuma deixar as pessoas de queixo caído. Ele é mecânico em uma oficina da Aclimação 9Conforme já mostramos
aqui).
Sem ver nada desde os 3 anos, sempre foi louco por carros e começou no ramo aos 25. Reconhece rapidamente as peças ao manuseá-las e contabiliza um único
acidente — em 2003, perdeu a ponta do dedo médio da mão direita ao tentar consertar o motor de uma Kombi. Rejeição, recorda, sofreu uma única vez, quando
uma cliente disse que não queria que pusesse a mão no seu bem. “O chefe falou que a empresa era dele e que eu era o melhor funcionário”, orgulha-se. Pedro
fez, então, o serviço e não houve reclamação.
“O primeiro passo para entender o problema do veículo é usar a minha audição, que ficou bem aguçada ao longo da profissão. Depois, recorro ao tato”, descreve.
Não há, afirma, um tipo de automóvel em que o desafio seja maior. “Ao longo do tempo, a eletrônica passou a ser mais utilizada em outros modelos, mas me
adaptei bem. Obviamente, eu só não poderia lidar com pintura.”
Ter a capacidade subestimada é algo chatíssimo. Aguentar a pena alheia é cruz mais difícil de carregar que a própria cegueira. Diferentemente do que reza
o clichê, o paulistano — mais que o morador de qualquer outra cidade que eu conheça — oferece ajuda o tempo todo. Mas, achando que estamos perdidos, alguns
nos puxam pelo braço e nos levam por um caminho que julgam ser o correto. Não se passa um dia sequer sem que eu ouça: “Rapaz, está indo pelo lugar errado!”.
Uma dica: prontifique-se a colaborar, sim, por favor. Mas não seja inconveniente.
O voluntarismo dos “enxergantes” (é como nós chamamos você, leitor) mostra-se idêntico com bengaleiros e usuários de cão-guia. Quem tem um cachorro em
vez de olhos, porém, é obrigado a lidar ainda com a curiosidade das outras pessoas. “Muitos adoram o lado social que eles trazem, mas eu dispenso”, diz
Maria Rita. “A toda hora, preciso chamar a atenção do animal por algo que fez de errado e alguém me interrompe, atrapalhando o processo.” Eu entendo a
irritação dela. Certa vez me abordaram no meio de um término de namoro, ambos os lados chorando copiosamente depois da famosa DR, para virem com a bateria
de perguntas, como “de que raça ele é?”.
O orientador de coleira não é uma possibilidade para qualquer um, uma vez que há pouquíssimos treinadores de guias no Brasil. Prepará-los chega a custar
mais de 100 000 reais. E o pet especial pode simplesmente não se encaixar na rotina da pessoa. Everton, por exemplo, desistiu desse auxílio por não gostar
de ser restringido pelos cuidados que o bicho demandaria. A telefonista Esvana Leandro, de 39 anos, moradora de Jandira, na Grande São Paulo, tem verdadeira
devoção ao bicho do marido, também não “enxergante”, mas dispensa um para si: “Vivemos numa região em que as pessoas não respeitam os cachorros”. Usuária
de bengala, ela já se deu mal ao seguir confiante pelo piso tátil da Avenida Paulista: trombou com um ambulante que havia montado sua barraquinha em cima
da faixa. “E fui xingada por ele.”
A experiência de Esvana mostra que a vida de um casal de cegos é menos complicada do que pode parecer. Morei sozinho no passado e acho mais fácil do que
ter no dia a dia a companhia de alguém sem a deficiência, como é meu caso hoje. Individualmente, crio um mapa mental do imóvel, separo as roupas entre
as que uso em casa e as de sair, cozinho, faço faxina, e tudo funciona bem. Quando o espaço é dividido com alguém, invariavelmente as coisas são tiradas
do lugar onde deixei.
Ainda na área de
relacionamentos:
o sexo, o amor e a beleza interagem de forma peculiar na vida de quem não enxerga. Um corpo definido, claro, é especialmente valorizado. Um abraço ou um
tapinha no ombro são os truques mais comuns para entender se o alvo de interesse é mais musculoso, cheinho, magricelo. Por ego, boa parte dos deficientes
visuais recorre aos amigos para avaliar a beleza do pretendente. Além disso, a autoimagem é formada com base nos comentários alheios. Para alguns, desconhecer
a própria aparência é uma eterna causa de insegurança. Outros, porém, reagem com indiferença a isso — a obesidade é endêmica entre nós.
Temos de lidar com as falsas expectativas: é comum as pessoas acharem que somos criaturas de pura bondade, indefesos e assexuados. “Muitas mulheres nos
veem como coitados”, queixa-se o psicólogo Everton Oliveira. É que, embora pensemos na falta de visão como uma condição que nos torna iguais, somos um
grupo tão diverso quanto qualquer outro. Há jovens e velhos, gordos e atletas, gays e héteros, tímidos e descontraídos, dependentes e autônomos. Gostam
de chamar nossas necessidades de especiais. A principal delas, no entanto, é universal: o respeito à individualidade.
(Fonte: Veja São Paulo, via Lucas de Abreu Maia e colaboração de Alessandra Freitas)
USP oferece curso gratuito e online para aprender Libras
O grupo de Mídias Digitais da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) criou uma plataforma exclusiva para o aprendizado da língua
brasileira de sinais (Libras). O ambiente online é totalmente gratuito. Por lá, você encontra dezenas de videoaulas, material didático e atividades. A
ideia é fazer com que pessoas não surdas tenham contato com conteúdos relacionados à língua de sinais, à surdez, à educação de surdos é à cultura surda.
Os
interessados devem acessar a plataforma Stoa, onde é possível assistir online e fazer o download das aulas. O portal e-Aulas USP, aberto para TODOS OS
PÚBLICOS, também oferece a disciplina para estudo. O conteúdo é coordenado pelo Prof. Dr. Felipe Venâncio Barbosa, do Departamento de Linguística da Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Link Stoa:
http://disciplinas.stoa.usp.br/course/view.php?id=5603section=0
Link USP:
http://eaulas.usp.br/portal/course.action?course=6085
Com goleada sobre os Estados Unidos, Brasil encerra primeira fase do Mundial de futebol de 7 com 100% de aproveitamento
Bira comemora o primeiro gol da partida
A Seleção Brasileira de futebol de 7 (paralisia cerebral) encerrou neste domingo, 21, em Burt Upon Trent, na Inglaterra, a primeira fase do Cerebral Palsy
Football World Championships, o Mundial da modalidade, com 100% de aproveitamento. A equipe goleou os Estados Unidos por 6 a 0 e confirmou a classificação
para as quartas de final como líder do Grupo C. Na próxima fase, o Brasil enfrenta a Argentina, na quarta-feira, às 9h (horário de Brasília).
Assim como nas duas primeiras partidas da competição, contra Escócia e Venezuela, os comandados de Dolvair Castelli dominaram o jogo desde o começo para
aplicar o terceiro 6 a 0 consecutivo. E o resultado começou a ser construído logo aos 10 minutos de jogo, com Bira balançando as redes e abrindo o placar
para o Brasil. À frente no marcador, a Seleção Brasileira jogou mais tranquila e ainda fez mais três gols no primeiro tempo. Wanderson, Fernandes e Zeca
foram os autores dos tentos.
Com larga vantagem, o Brasil só administrou o jogo no segundo tempo. Na etapa final, o time verde-amarelo ainda fez mais dois gols. Wanderson balançou
as redes em cobrança de pênalti e Felipe Rafael, aniversariante do dia, completou o placar com um gol nos minutos finais.
O fim da primeira fase também evidenciou a boa fase da parte defensiva da Seleção Brasileira. A equipe ainda não sofreu gols na competição e um dos responsáveis
pelo feito, o goleiro Marcão, teve boa atuação neste domingo, trabalhando com segurança quando os Estados Unidos ameaçavam. “Foi um jogo contra uma equipeCom
goleada sobre os Estados Unidos, Brasil encerra primeira fase do Mundial de futebol de 7 com 100% de aproveitamento
em que a gente não esperava tanto dela, mas eles melhoraram bastante e conseguiram chegar no nosso gol pelo menos três vezes. Felizmente, quando a bola
chegou eu estava preparado”, resumiu Marcão.
Com 18 gols de saldo, o Brasil chega às quartas de final com a confiança em alta. O adversário da Seleção na próxima fase será a Argentina. Antes do início
do Mundial, o treinador Dolvair Castelli já havia ressaltado que os vizinhos sul-americanos têm um bom time. “A Argentina evoluiu bem na modalidade. Tem
um grupo bom com alguns valores individuais”, analisou.
A partida que vale vaga na semifinal do Mundial será transmitida pela internet, na página oficial da competição (
www.cp2015.com).
Assessoria de imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (
imp@cpb.org.br)
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Pessoas unilateralmente surdas não se qualificam como candidatos com deficiência para fins de concurso público
da 1ª Região reformou sentença do Juízo Federa da 17ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal que, nos autos de mandado de segurança, determinou que
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aceite a participação de uma candidata, ora impetrante, no concurso público, promovido pela autarquia, na
condição de pessoa com deficiência, com a inclusão de seu nome na respectiva lista de habilitados ao cargo de Técnico do Seguro Social.
No recurso, o INSS sustenta que a apelada tem perda auditiva unilateral, comprovada, inclusive, pela audiometria e atestados apresentados pela candidata.
“Por esta razão, correto o procedimento adotado pela ora apelante ao proceder à sua exclusão do rol de candidatos aptos a disputarem as vagas reservadas
aos portadores de necessidades especiais”, afirmou. Requereu, assim, a reforma da sentença. O Ministério Público Federal (MPF), em seu apelo, alega que
para que seja a candidata incluída nas vagas de pessoas com deficiência é necessário que a perda auditiva se dê em ambos os ouvidos, ainda de modo parcial.
Para o relator, desembargador federal Souza Prudente, a autarquia e o MPF têm razão em seus argumentos. Isso porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ),
por ocasião da apreciação do Mandado de Segurança nº 18.966/DF, modificou a orientação jurisprudencial até então dominante e passou a considerar “que os
portadores de surdez unilateral não se qualificam como deficientes físicos para fins de concurso público”.
Segundo o magistrado, tal entendimento deve ser aplicado ao caso em análise. “Na hipótese dos autos, configurada a surdez unilateral da impetrante, merecem
provimentos os apelos ora interpostos, restando-se denegada a segurança pleiteada na espécie”, afirmou.
A decisão foi unânime.
Fonte: Âmbito Jurídico
da 1ª Região reformou sentença do Juízo Federa da 17ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal que, nos autos de mandado de segurança, determinou que
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aceite a participação de uma candidata, ora impetrante, no concurso público, promovido pela autarquia, na
condição de pessoa com deficiência, com a inclusão de seu nome na respectiva lista de habilitados ao cargo de Técnico do Seguro Social.
No recurso, o INSS sustenta que a apelada tem perda auditiva unilateral, comprovada, inclusive, pela audiometria e atestados apresentados pela candidata.
“Por esta razão, correto o procedimento adotado pela ora apelante ao proceder à sua exclusão do rol de candidatos aptos a disputarem as vagas reservadas
aos portadores de necessidades especiais”, afirmou. Requereu, assim, a reforma da sentença. O Ministério Público Federal (MPF), em seu apelo, alega que
para que seja a candidata incluída nas vagas de pessoas com deficiência é necessário que a perda auditiva se dê em ambos os ouvidos, ainda de modo parcial.
Para o relator, desembargador federal Souza Prudente, a autarquia e o MPF têm razão em seus argumentos. Isso porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ),
por ocasião da apreciação do Mandado de Segurança nº 18.966/DF, modificou a orientação jurisprudencial até então dominante e passou a considerar “que os
portadores de surdez unilateral não se qualificam como deficientes físicos para fins de concurso público”.
Segundo o magistrado, tal entendimento deve ser aplicado ao caso em análise. “Na hipótese dos autos, configurada a surdez unilateral da impetrante, merecem
provimentos os apelos ora interpostos, restando-se denegada a segurança pleiteada na espécie”, afirmou.
A decisão foi unânime.
Fonte: Âmbito Jurídico
Deputados pedem inclusão de pessoas com deficiência em microempresas
A necessidade de fortalecer políticas específicas de inserção de pessoas com deficiência em micro e pequenas empresas foi o destaque da audiência pública
da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, que debateu o tema nesta quarta-feira (17). A comissão recebeu
o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o mercado de trabalho para as pessoas com deficiência nas micro e pequenas empresas. Dep. Mandetta (DEM-MT)
Deputado Mandetta sugeriu benefício fiscal para empresas que contratam pessoas com deficiência
O deputado Mandetta (DEM-MS) propôs que as pessoas com deficiência fiquem de fora da redução da desoneração da folha de pagamento, medida do ajuste fiscal
do governo que ainda precisa ser votada no Congresso (PL 863/15). Segundo o deputado, seria uma medida para evitar que o desemprego atinja pessoas com
deficiência, segmento que já tem um espaço reduzido no mercado de trabalho.
“Mesmo para o microempresário, esse incentivo poderá ser uma possibilidade de ele se envolver mais na contratação de pessoas com deficiência. Se ele tem
a prerrogativa de ter uma carga [tributária] menor, pode fazer o investimento necessário em capacitação, nas adaptações que eventualmente tenham que ser
feitas em uma microempresa. Estamos falando de acessibilidade, de banheiro, de rampa, de mobiliário”, apontou o deputado.
Afif Domingos concordou com a necessidade de existir uma política tributária e previdenciária que incentive a contratação. “Primeiro, o empresário tem
que olhar e perceber que é uma coisa boa do ponto de vista financeiro. Todo empresário faz contas, não vamos esquecer essa realidade”, disse.
Lei de Inclusão
O ministro questionou, no entanto, a efetividade prática da Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência, aprovada no Congresso neste mês de junho. A lei,
que ainda precisa ser sancionada pela Presidência da República, altera as cotas no mercado de trabalho.
Atualmente, apenas empresas com mais de 100 empregados entram na obrigatoriedade das cotas para pessoas com deficiência, enquanto a Lei de Inclusão estabelece
que empresas com mais de 50 trabalhadores já precisam obedecer à reserva.
Afif Domingos ressaltou que a nova lei não vai resolver o problema da falta de qualificação, que, segundo ele, impede a entrada das pessoas com deficiência
no mercado de trabalho. Uma das sugestões do ministro foi ampliar as capacitações feitas pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).
Já o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) criticou a atuação do Pronatec no segmento de pessoas com deficiência. Ele lembrou que, no momento da votação da
lei que instituiu o programa, houve a tentativa de incluir parcerias com entidades especializadas para facilitar essa qualificação.
“O ministério não permitiu. As inscrições de pessoas com deficiência foram pífias e aqueles que entraram não conseguiram uma boa qualificação. É uma falácia
abrir vagas sem pensar em uma proposta pedagógica adequada”, ressaltou Eduardo Barbosa, que pediu o apoio do ministro Afif Domingos nessa questão.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o mercado de trabalho para as pessoas com deficiência nas micro e pequenas empresas. Ministro chefe da Secretaria da Micro e Pequena
Empresa, Guilherme Afif Domingos
Afif: falta de qualificação dificulta entrada das pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Números atuais
Dos quase 49 milhões de vínculos empregatícios mapeados no Brasil, apenas 357 mil são ocupados por pessoas com deficiência, o que significa 0,73% dos empregos.
Estatísticas mostram também que pessoas com deficiência ganham menos que os demais trabalhadores e que as mulheres têm menos espaço, ocupando somente 35%
do total de vagas preenchidas por trabalhadores com deficiência.
Esses dados constam da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e foram mostrados por Wederson Santos, representante da Coordenação-Geral de Promoção
dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Ações de inclusão
Segundo Wederson Santos, na segunda etapa do programa Viver sem Limites, do governo federal, existe a previsão de unificar ações de inclusão com o foco
no mundo do trabalho. “É uma reunião dos esforços, expectativas, programas e ações dos ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento Social e da Previdência
para levar adiante esse primeiro passo dado, que foi a mudança do tamanho das empresas que precisam contratar pessoas com deficiência”, disse Wederson.
Autora do requerimento para a realização da audiência pública, a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) afirmou que é preciso entender a inserção da pessoa com
deficiência não apenas como cota, mas como direito à cidadania.
“O ministro foi claro quando coloca a necessidade de incentivar a micro e pequena empresa para incluir a pessoa com deficiência. Sabemos que são nessas
empresas que podemos inserir o maior número de pessoas, pois são empreendimentos de maior alcance, distribuídos em todo o conjunto das cidades”, acrescentou
a deputada.
Fonte: Agência Câmara
Projeto brasileiro de óculos para deficientes visuais recebe prêmio mundial
Foto de um homem que cego caminhando na calçada usando um óculos e sua bengala.
Um projeto realizado por uma equipe de brasileiros está entre os vencedores do prêmio The World Summit Youth Award, competição global entre jovens desenvolvedores.
A cerimônia de entrega de prêmios ocorreu na noite dessa quarta-feira (17).
Desenvolvido por pesquisadores pernambucanos e coordenado pelo cientista da computação, Marcos Penha, o projeto brasileiro é um óculos para pessoas com
deficiência visual, que funciona em auxílio à bengala. O acessório conta com protótipo que custou cerca de R$ 45 e identifica obstáculos acima da linha
da cintura da pessoa, região que normalmente não é alcançada pela bengala.
Assim que o aparelho detecta um obstáculo, ele emite um sinal que aumenta quando o objeto se aproxima. O sinal é sentido por meio de vibrações de uma pulseira
ou colar, como o toque de um telefone em modo vibracall. A intensidade da vibração pode ser regulada de acordo com a sensibilidade de quem usa o aparelho.
“Inicialmente, queríamos desenvolver um óculos que substituísse a bengala-guia. Quando fomos a campo, mudamos o projeto. Os cegos não queriam deixar a
bengala. É o senso tátil deles. Por isso, tem um peso psicológico muito grande”, destacou Emily Shuler, que participa da equipe de desenvolvimento.
Testes
A partir de testes com 276 pessoas com deficiências visuais, em sua maioria da Associação Pernambucana de Cegos, os pesquisadores constataram que a bengala
não conseguia identificar obstáculos acima da linha da cintura. “Com a bengala, eles reconhecem um pneu, mas acham que é um carro. O carro tem uma certa
altura e, se for um caminhão, eles vão em frente e batem. Isso ocorrre também com os orelhões”, explicou Penha, coordenador do projeto.
Os desenvolvedores perceberam que precisavam de um dispositivo barato, já que aparelhos similares, como a bengala eletrônica, que também funciona com sensores,
tinha custo muito elevado e tinha de ser importada. “Para um deficiente visual importar, é um processo complicado. Quando avaliamos, os valores chegavam
a R$ 3 mil ou R$ 4 mil. E um cão-guia pode custar R$ 25 mil”, lembrou o coordenador.
O projeto brasileiro pode ser conhecido pelo
site.
Produção em escala industrial
Os pesquisadores do projeto brasileiro, denominado Annuitwalk, buscam investidores para conseguir produzir os óculos em escala industrial. “Nosso projeto
não é relacionado a uma universidade. Foi algo independente. Cada um com seu conhecimento, com algo a trazer, a contribuir. Foi um projeto bem colaborativo.
Já estamos com o sexto protótipo pronto”, informou Marcos Penha.
Para Lucas Foster, fundador da ProjectHub, rede global de economia criativa, parceira do prêmio internacional, o projeto brasileiro vencedor é uma demonstração
do potencial inovador do País, principalmente nas áreas da inclusão social, acessibilidade, diversidade cultural e sustentabilidade.
Reconhecimento
A iniciativa premia empreendedores digitais com menos de 30 anos que elaboram projetos na internet e tecnologia móvel baseados nos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio das Organizações das Nações Unidas (ONU).
O prêmio recebido pelos brasileiros reconhece projetos com potencial de impacto nas metas da ONU em seis diferentes categorias: luta contra a pobreza,
fome e doença, educação para todos, empoderamento das mulheres, valorização da cultura local, meio ambiente e sustentabilidade e busca da verdade.
Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil.
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